A apenas a três anos de distância do filme original, Antoine Fuqua e Jake Gyllenhaal embarcaram num remake do filme dinamarquês “The Guilty”, de Gustav Möller, um objecto que herdava a tradição dos filmes de suspense focados em espaços, confinados, onde exemplos como “Phone Booth”, “Buried”, “Locke” servem como ponto de referência.

Mas mais que qualquer um dos exemplos anteriores,  a versão americana de “Guilty” é mais próxima nos resultados de um “The Call” (aquele filme com Halle Berry), porque onde havia contenção, frieza e um nervosismo permanente “cozinhado” em lume brando, agora existe explosão e efervescência de um raivoso Jake Gyllenhaal, preso a uma secretária de um call center dos serviços de emergência (911), a ter de lidar com um sequestro, além de diversos problemas pessoais.

Fuqua (Dia de Treino) é conhecido por thrillers energéticos com uma boa dose de drama e personagens multifacetados que fogem aos heróis do cinema tradicional através dos seus próprios atos de vilania e transformação pessoal, normalmente associados a trabalhos e missões que se tornam obsessões. Aqui, juntamente com Nic Pizzolatto, autor de “True Detective”, ele encontra nos gigantescos incêndios da Califórnia um elemento que não só abraça a cidade num único objetivo, relegando tudo o resto para segundo plano, como joga a favor do rapto em si. Tudo tem o seu charme, dinâmica e até carisma (Gyllenhaal, naturalmente), mas tudo é igualmente derivativo, pastiche e muito menos intenso que no filme original, até pela total dependência de um twist que sabemos de antemão existir. E apesar de trazer para cena a realidade norte-americana e especialmente da Califórnia, “Guilty” é acima de tudo um conteúdo construído para mais uma vez mostrar a máquina industrial e monetária da indústria do entretenimento, aproveitando o facto de os norte-americanos ainda usarem as legendas como uma barreira para verem ou não os filmes. E não só eles, porque há muito europeu que ainda tem comichão nas orelhas quando ouve outra língua no grande ecrã que não o inglês.

Por isso mesmo, este novo “Guilty” é totalmente descartável e só serve mesmo para aqueles que usam o cinema como um ato de distração e não uma arte que tenta ir além do mero entretenimento escapista. 

Pontuação Geral
Jorge Pereira
the-guilty-jake-gyllenhaal-nao-salva-remake-redundanteOnde havia contenção, frieza e um nervosismo permanente, agora existe explosão e efervescência de um raivoso Jake Gyllenhaal