Quando falamos da Guerra Fria, os britânicos vêm sucessivamente à nossa mente como uma espécie de equipa B, uma “banda de apoio” das estrelas principais (EUA e URSS), isto apesar de, no final das contas, até estarem geograficamente mais perto do gigante vermelho e (teoricamente) em maior risco de sofrer as consequências de um eventual conflito.
Com a crise de mísseis cubanos no pano de fundo, um confronto de 13 dias entre os Estados Unidos e a União Soviética relacionado com a implantação de mísseis balísticos soviéticos em Cuba, “O Espião Inglês” (The Courier) é mais uma obra que nos leva aos tempos áureos da Guerra Fria num registo entre o filme biográfico sobre Greville Wynne (Benedict Cumberbatch), um engenheiro e empresário britânico recrutado pelo MI6 e pela CIA como espião, e o thriller de espionagem histórico (à la John Le Carré ou Tom Clancy) que se movimenta como qualquer “Ponte dos Espiões”.
Na verdade, “O Espião Inglês” não é um mau filme, mas meramente redundante num género já de si esgotadíssimo, aqui apenas revitalizado parcialmente pelo magnetismo e eficácia do seu protagonista, Benedict Cumberbatch, capaz de imprimir um permanente charme a figuras simples, mas camaleónicas, que saem frequentemente do anonimato, caminham pelas sombras e decidem conflitos (como Alan Turing em “Jogo da Imitação“), acumulando no processo várias perdas pessoais.
Realizado pelo britânico Dominic Cooke, que há uns anos atrás nos deu outra peça de época, mas de contornos bem diferentes (Na Praia de Chesil), “O Espião Inglês” prima pela tentativa sucessiva de construção do seu suspense baseada em velhos truques (a banda-sonora, a direção artística, a fotografia carregada de tons frios), que pela sua natureza de repetição cinematográfica e temática, apenas e só demonstram uma enorme previsibilidade, tornando todo o filme em mais um numa pilha de títulos do género que se amontoam e que tentam funcionar como recurso histórico, quando na verdade são mero material de entretenimento.



















