Veneza recebe timidamente (e com protestos) novo filme de Roman Polanski

(Fotos: Divulgação)

A presença de filmes de Roman Polanski e de Woody Allen no Festival de Veneza, ainda que fora de competição, causou, desde o seu anúncio, polémica, que neste fim de semana ganhou novos contornos com a colocação de alguns cartazes no Lido. “Island of rapists” (Ilha de Violadores) “No Golden Lion for predators” (Não deem Leões de Ouro a Predadores), e “Sexist cinema/ feminist response” (Cinema Sexista/resposta feminista) foram alguns dos slogans visíveis. E se o filme de Polanski já estreou este sábado em Veneza, o de Allen só chega na próxima segunda-feira, sendo de esperar novos protestos.

Sobre o franco-polaco, o diretor do Festival de Veneza, Alberto Barbera, disse mesmo à Variety: “Já se passaram 60 anos [do caso]. Polanski admitiu a sua responsabilidade. Pediu para ser perdoado. Foi perdoado pela vítima. A vítima pediu que a questão fosse encerrada. Penso que continuar a bater em Polanski significa procurar um bode expiatório para outras situações que mereceriam mais atenção”.

Os protestos e o boicote generalizado ao trabalho do franco-polaco moveram igualmente a conferência de imprensa de “The Palace” em Veneza, com o Luca Barbareschi a assumir “as balas”, mas igualmente a lançar uma contra-ofensiva. O produtor, que já tinha trabalhado com Polanski, em “J’ Accuse – O Oficial e o Espião”, apelidou as plataformas de streaming atuais de hipocrisia, pois não têm problemas em ganhar dinheiro com os filmes antigos do cineasta, mas recusam-se a financiar os novos. “Não entendo porque todas as plataformas – Paramount+, Amazon, Netflix – têm [filmes mais antigos] de Polanski que lhes rendem milhões, mas não produzem o novo” afirmou Barbareschi, que teme ainda que “The Palace” não tenha estreia em França.

Luca Barbareschi e Fanny Ardant

Recorde-se que “J’ Accuse” teve sucesso no país, conquistando mesmo os prémios Cesar. Porém, depois de uma cerimónia em que ficou na memória a saída de cena da atriz Adèle Haenel (que estava na sala para representar o seu “Retrato da Rapariga em Chamas), o filme levou a uma revolução na Academia de Cinema Francesa. Desde aí, com novas acusações a surgirem, Polanski tornou-se “persona non grata” no país, tal como o é nos EUA há décadas após o caso com Samantha Geimer.

Quanto a “The Palace”, que teve uma tímida receção no festival, nele estamos na Suíça, “a 31 de dezembro de 1999 e o luxuoso The Palace Hotel prepara-se para o Ano Novo mais esperado de sempre. Hóspedes milionários de todo o mundo preparam-se para entrar no Novo Milénio, entre manias, vícios e extravagâncias.

THE PALACE – Joaquim De Almeida e Oliver Masucci | Foto por M. Abramowska

Escrito por Polanski e Jerzy Skolimowski, o filme conta no elenco com Oliver Masucci, Fanny Ardant, John Cleese, Bronwyn James, Joaquim de Almeida, Luca Barbareschi, Milan Peschel, Fortunato Cerlino e Mickey Rourke.

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