Polanski acusa Weinstein de ressuscitar “caso Samantha Geimer”

(Fotos: Divulgação)

Roman Polanski falou em exclusivo à Paris Match

Roman Polanski abordou mais uma vez os escândalos que percorrem a sua vida, negando diversas acusações de violação, incluindo a última, de Valentine Monnier, que alega ter sido espancada e violada em 1975 pelo realizador, quando tinha 18 anos e estava numa estância de ski na Suíça com um amigo.

Classificando a história de “aberrante“, Polanski diz que reconheceu o rosto da mulher, mas nada de mais: “Ela diz que uma amiga a convidou para passar uns dias na sua casa, mas não se lembra que amiga! É fácil acusar quando prescreveu há décadas e quando é certo que não pode haver um procedimento judicial para me ilibar (…) Como as acusações de violação já não são suficientes, foi necessário adicionar uma camada nova [espancamento] (…) Ela fala em 3 testemunhas na minha casa: o meu assistente Hercules Bellville, Gérard Brach e a sua esposa, Elizabeth. Os dois primeiros morreram – é conveniente, não podem mais confirmar ou refutar o que ela disse. Quanto à sra. Brach, o jornal [Le Parisien] não a encontrou. Resta o vizinho da frente, John Bentley, que “não se lembra da Valentine falar com ele sobre a violação”, mas que tem uma teoria sobre os meus supostos “problemas psicológicos com mulheres”, e outro vizinho misterioso que deseja permanecer anónimo – que teme ele? E existem também algumas testemunhas ainda mais indiretas, que um tribunal teria rejeitado, mas que o jornal reproduziu sem reservas.”



Já sobre a acusação da americana Marianne Barnard, que afirma que a sua mãe “a vendeu” quando tinha 10 anos para financiar os seus estudos universitários, o realizador descreve tudo como “absolutamente tragicómico“: “Era tão absurdo que pensei comigo mesmo: “Desta vez, foram longe demais e tudo finalmente vai parar”. Aconteceu o contrário. Adicionaram-na à lista das minhas “vítimas”, sem verificar nada.” Polanski diz ainda que a mãe dessa rapariga ainda ensina na mesma universidade americana, que ninguém lhe pediu responsabilidades e que através do advogado contratou um detetive, que descobriu através de um irmão dela que a mulher já havia acusado o pai de violação e que esteve por duas vezes internada num hospital psiquiátrico. O cineasta disse ainda que mostrou esses documentos aos jornalistas e que ninguém os levou em consideração. “Que mais posso fazer?“, questiona.

Outro detalhe importante da entrevista é quando Polanski fala de Harvey Weinstein, a quem responsabiliza por levantar toda a “poeira” do seu caso com Samantha Geimer, 26 anos depois do ocorrido. Assumido que em 1977 cometeu “um erro” e que é a sua família que agora está a pagar por ele, Polanski afirma que na guerra de nomeações aos Oscars, foi um responsável de imprensa de Weinstein o primeiro a apelidá-lo de “violador de crianças“: “Em 2003, Weinstein entrou em pânico quando O Pianista recebeu dois prémios nos Bafta, o Oscar britânico, incluindo Melhor Filme. Weinstein, que tinha dois filmes indicados ao Oscar, lançou imediatamente uma campanha para impedir que a mesma coisa acontecesse novamente em Hollywood. Foi ele quem desenterrou o meu caso com a Samantha“.

Na entrevista, o cineasta fala ainda de alguns eventos bizarros, em particular uma história ocorrida há 20 anos, quando uma mulher entrou em contacto com ele a dizer que a falecida Sharon Tate não estava à espera de um menino, mas de uma menina, e que era ela e foi salva pelos assassinos: “Desde então, ela envia-me cartas, presentes, fotos. Mudou o nome de Rosie Blanchard para “Rosie Tate Polanski”. É uma loucura: ela nasceu dois anos após a morte de Sharon! Eu guardei tudo, caso contrário, quem iria acreditar em mim? Há dois anos, em Gstaad, um jovem casal bateu-me à porta. Deram-me uma carta da Rosie, eu não sabia mais quem ela era. O jovem disse-me: “Rosie, a sua filha. Ela é minha mãe, eu sou seu neto!

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