Sessões na Cinemateca – Escolhas de 16 a 21 de agosto

(Fotos: Divulgação)

O programa do ciclo de sessões “Por uma Canção” não é propriamente musical, nem cantado, mas centra-se num conjunto de filmes que são habitados por momentos inesquecíveis em que uma canção reverbera por toda a obra. São momentos fímicos em que a música soa mais alto, e em que associação de uma canção a um filme se fixa, estabelecendo-se uma íntima correspondência entre os dois. É este emparelhamento da música com o cinema que se celebra este mês na Cinemateca.

Estas são as nossas sugestões para as sessões a decorrer na semana de 16 a 21 de agosto:

Breakfast at Tiffany’s (Boneca de Luxo, 1961) – Segunda-feira, 16 de agosto, 19h00, Sala M. Félix Ribeiro // Sábado, 21 de agosto, 21h30, Esplanada. O conto de Truman Capote (1958) que está na base deste filme de Blake Edwards, com Audrey Hepburn no papel da ágil Holly Golightly, é bastante mais cru que a romantizada adaptação ao cinema que o celebrizou. Mas a “love story” que troca as voltas à rapariga que sonha com as joias milionárias da Tiffany quando conhece o jovem vizinho escritor sustentado por uma amante mantém o ambiente: um retrato de Manhattan em tempos fervilhantes de mudança por um cinema em momento de disponibilidade para a abertura. A música de Henry Mancini tornou-se indissociável do tom de Breakfast At Tiffany’s, filme de várias e uma canção: Moon River na voz de Hepburn.

Mulholland Drive (2001) – Terça-feira, 17 de agosto, 21h30, Esplanada. No início deste milénio, David Lynch partiu da ideia “de uma mulher que tenta tornar-se estrela em Hollywood e dá por si no papel de detetive e possivelmente a entrar num mundo perigoso” e construiu um filme profundamente hipnótico, narrativamente assimétrico, abissalmente no limiar da realidade e do imaginário. Há uma chave azul, uma caixa azul, mas o rumo é a desorientação. Em Mulholland Drive há uma canção para um lancinante momento em suspenso numa sala cabaret com Llorando, por Rebekah Del Rio numa versão de Crying de Roy Orbison.

A Conquista de Faro (2005) & O Último Mergulho (1992) – Sexta-feira, 20 de agosto, 21h30, Esplanada. A partir de um argumento de Agustina Bessa-Luís, A Conquista de Faro, de Rita Azevedo Gomes, fixa-se em dois casais que se encontram, de passagem, num hotel algarvio. Ocupa-os uma conversa sobre a lenda da cidade, que cruza uma dupla traição e tempos diferentes, desaguando num surpreendente plano sequência final, ao som de Janis Joplin, Ball & Chain. O Último Mergulho é o “esboço de filme” em que João César Monteiro filma “A Água”, a pretexto da série “Os Quatro Elementos”. As personagens são três prostitutas, uma delas muda, e Lisboa, aqui sobretudo noturna. Neste filme de risco, há tangos, fados, e duas sequências ímpares: a do campo de girassóis, em que a “canção” é água marítima; e a do bando de flamingos que leva ao desfecho, com Hölderlin na voz de Luis Miguel Cintra sobre uma ária das Variações Goldberg de Bach.

Kikujirô No Natsu (O Verão de Kikujiro, 1999) – Sábado, 21 de agosto, 11h00, Salão Foz. O jovem Masao está de férias, todos os seus amigos saíram da cidade rumo à praia. É verão e ele está sozinho com a avó em Tóquio. Não tem pai e só conhece a mãe por fotografias. Decide ir procurá-la. No início da sua viagem encontra um casal vizinho; a mulher ordena ao marido, Kikujiro, que ajude e acompanhe Masao na sua jornada. Kikujiro é um homem rude e fanfarrão e com pouca paciência para crianças, longe de ser a companhia ideal para o sensível rapaz. Durante o percurso acidentado, recheado de aventuras e personagens esquisitas, este par insólito vai descobrir que têm mais em comum do que aparentemente julgavam.

Nota: Esta semana voltam a ser exibidos três filmes que já foram recomendados pelo C7nema nas passadas duas semanas. São eles “The Royal Tenenbaums” (segunda-feira, 16 de agosto, às 21h30 na Esplanada), “M” (quarta-feira, 18 de agosto, às 21h30 na Esplanada) e “Stranger Than Paradise” (quinta-feira, 19 de agosto, às 21h30 na Esplanada).

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