Sessões na Cinemateca – Escolhas de 9 a 14 de agosto

(Fotos: Divulgação)

O programa do ciclo de sessões “Por uma Canção” não é propriamente musical, nem cantado, mas centra-se num conjunto de filmes que são habitados por momentos inesquecíveis em que uma canção reverbera por toda a obra. São momentos fímicos em que a música soa mais alto, e em que associação de uma canção a um filme se fixa, estabelecendo-se uma íntima correspondência entre os dois. É este emparelhamento da música com o cinema que se celebra este mês na Cinemateca.

Estas são as nossas sugestões para as sessões a decorrer na semana de 9 a 14 de agosto:

Phoenix (2014) – Segunda-feira, 9 de agosto, 19h00, Sala M. Félix Ribeiro. Num dos seus melhores trabalhos, Christian Petzold parte de um argumento baseado em Le retour des cendres (1961), de Hubert Monteilhet, e constrói Phoenix como um drama do imediato pós-guerra nas ruínas da Berlim de 1945, fazendo-o girar com volteios noir à roda da personagem de uma mulher que “vive duas vezes”. Nelly (Nina Hoss), antiga cantora de cabaret, sobrevive desfigurada a um campo de concentração, sendo submetida a uma cirurgia que lhe devolve um rosto e lhe permite procurar o marido que pode tê-la traído junto dos nazis. Quando o encontra no setor americano de Berlim e ele, sem a reconhecer, lhe pede que finja ser sua mulher o filme adensa a sua vertigem de reflexos e fantasmas. Essa vertigem estilhaça ao som de Speak Low de Kurt Weil, cantada por Hoss num intenso desfecho.

The Graduate (A Primeira Noite, 1967) – Terça-feira, 10 de agosto, 19h00, Sala M. Félix Ribeiro. Segundo filme de Mike Nichols (o seu mais recordado) e a obra que lançou Dustin Hoffman. The Graduate, uma história de “coming of age” da geração de “baby boomers”, tornou-se num dos filmes mais populares de sempre, assim como um dos tiros de partida da Nova Hollywood e de uma nova estética nos estúdios norte-americanos. Hoffman faz o papel de um jovem adulto recém-licenciado que, ao passar os dias em casa dos pais (por não saber o que fazer à vida), acaba envolvido com uma jovem rapariga (Katharine Ross) e, simultaneamente, com a sua mãe (Anne Bancroft, no papel da famosíssima Mrs. Robinson). Imagem da sociedade americana, o filme confunde-se com a canção de Paul Simon pelos Simon & Garfunkel, Mrs. Robinson.

The Royal Tenenbaums (Os Tenenbaums – Uma Comédia Genial, 2001) – Quarta-feira, 11 de agosto, 19h00, Sala M. Félix Ribeiro. Terceira longa-metragem de Wes Anderson e, até ver, a sua única incursão nova-iorquina, The Royal Tenenbaums é coescrito por Anderson e Owen Wilson e assume uma estrutura narrativa em capítulos guiada pela voz off de Alec Baldwin. É um retrato cómico-magoado de uma família disfuncional e das histórias individuais de sobrevivência dos seus vários membros, que junta dentro de si um mundo de referências musicais, literárias e cinematográficas. Há várias canções conhecidas na banda sonora, mas um momento-cápsula de exceção: a sequência coreografada ao som de These Days na voz de Nico para a personagem de Margot Tenenbaum (Gwyneth Paltrow). Na segunda-feira, 16 de agosto, o filme voltará a ser exibido às 21h30 na Esplanada.

Tabu (2012) – Quarta-feira, 11 de agosto, 21h30, Esplanada. “Uma idosa temperamental, a sua empregada cabo-verdiana e uma vizinha dedicada a causas sociais partilham o andar num prédio em Lisboa. Quando a primeira morre, as outras duas passam a conhecer um episódio do seu passado: uma história de amor e crime passada numa África de filme de aventuras.” Assim descreve a sinopse este filme de Miguel Gomes, dividido em duas partes e que parte de um prólogo e vai do “Paraíso Perdido”, em Lisboa, ao “Paraíso”, num imaginário Monte Tabu. Numa cena à beira-piscina atua uma banda de rapazes que canta as Ronettes, Be My Baby. Um belo filme.

M (Matou!, 1931) – Sexta-feira, 13 de agosto, 19h00, Sala M. Félix Ribeiro. Nesta poderosa obra-prima, primeiro filme sonoro de Fritz Lang, mais do que a descrição de um “caso autêntico” (o “vampiro” de Dusseldorf, um assassino de crianças), Lang fez o retrato de uma Alemanha mergulhada na depressão económica e nas vésperas da chegada dos nazis ao poder. O filme assinala também uma importante viragem na obra de Lang, que abandona com ele, e por muito tempo, os argumentos “folhetinescos” que tinham estado na origem de tantas das suas obras-primas. E dá a Peter Lorre o papel da sua vida. Neste filme, o assassino é sinalizado à polícia por um cego, que lhe escuta o assobio. O tema do assobio (da Peer Gynt Suite Nº 1, de E. Grieg) é o leitmotiv sonoro de M. Haverá uma segunda sessão no dia 18 de agosto, quarta-feira, pelas 21h30 na Esplanada.

Der Himmel über Berlin (As Asas do Desejo, 1987) – Sábado, 14 de agosto, 19h00, Sala M. Félix Ribeiro. São vários os filmes de Wim Wenders centrados em cidades, de Tokyo-Ga (1985) passando por Lisbon Story (1994), mas o mais emblemático é Der Himmel über Berlin, filmado depois do não menos emblemático (mas não carateristicamente citadino) Paris, Texas (1984). Inspirado por um poema de Rilke e coescrito com Peter Handke, trata-se de um retrato de Berlim dos últimos tempos do Muro. Uma fábula metafísica com belíssima fotografia, a cores e a preto e branco, assinada por Henri Alekan: Daniel, um anjo que espia Berlim e os seus habitantes, resolve dar o “salto” para a Terra e, com a ajuda de outro ex-anjo, inicia o processo de “humanização”. Num filme flutuante, terrena é a sequência do concerto em que o então habitante berlinense Nick Cave e os The Bad Seeds interpretam From Her to Eternity, a canção da rapariga.

Nota: Na quinta-feira, 12 de agosto, voltará a ser exibido “One from the Heart” (Do Fundo do Coração, 1982), pelas 21h30 na Esplanada, filme sugerido pelo C7nema na semana passada.

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