Numa altura em que a União Europeia prepara a revisão das políticas para o setor do audiovisual, mais de 4700 profissionais, entre os quais Miguel Gomes, Juliette Binoche, Costa-Gavras, Joachim Trier e Francis Ford Coppola, subscreveram uma carta aberta que pede o reforço do programa MEDIA, criado há três décadas.
O documento dirige-se à Comissão Europeia, ao Parlamento Europeu e aos Estados-membros, tendo em conta que, neste momento, decorrem negociações sobre o próximo Quadro Financeiro Plurianual da UE (2028-2034), no âmbito das quais a Comissão Europeia propõe fundir o eixo MEDIA do programa Europa Criativa num novo programa abrangente, denominado AgoraEU, que reúne cinema e audiovisual, videojogos, jornalismo e meios de comunicação social.
Nesse sentido, sublinhando o papel do cinema na construção de uma identidade cultural comum e defendendo que “nenhuma forma de arte […] atravessa a nossa consciência quotidiana de forma tão direta como o cinema”, a carta alerta que não existe atualmente qualquer garantia de financiamento específico para o setor cinematográfico e audiovisual, o que suscita preocupações em toda a indústria quanto ao futuro da produção independente, da distribuição nos cinemas, da formação e da diversidade cultural na Europa.
O programa MEDIA é apontado como um instrumento central no apoio à criação, produção e circulação de obras europeias. Apesar de representar apenas 0,2% do orçamento da União Europeia, o programa tem “impacto inestimável” no desenvolvimento do setor. Os profissionais defendem o reforço dos seus recursos, considerando que “não há valores partilhados, nem democracia, nem poder cultural europeu sem criação artística”.

