Um comentário aos Oscars: 7 de Março de 2010 – um dia morno em Hollywood

(Fotos: Divulgação)

Passadeira Vermelha – Alguém quer arriscar?

Depois de se ter rendido à Índia no ano passado, Hollywood parecia destinada a querer brilhar dentro de casa este ano. Mas, na passadeira vermelha pouco ou nada muda com o passar dos anos. Glamour, elegância, jóias e vestidos, alguns desastres, e muitos estilistas a esfregarem as mãos de contentamento perante tão ilustre publicidade.

Comecemos então pelas mais desastradas:

 
Charlize Theron: O tom rosa não é do meu agrado, mas se lhe acrescentarmos duas rosas que podiam ser mãos a agarra-lhe os seios pior ainda.

 
 
 
 
 Sarah Jessica Parker: Carrie Bradshaw tem falhado que nem gente grande nos Oscars. O gigante bibe amarelo Channel não ajuda nada a reforçar a sua pequena, mas esbelta figura.
 
 
 

 Zoe Saldana: Para uma actriz reconhecida como um ser azul durante um épico de quase três horas, se calhar cobrir-se de outra cor fortíssima não terá sido a melhor opção. Se calhar um tom mais pastel para a vermos, finalmente, ao natural.
 
 
 
 
 
Vera Famiga: Metros e metros e metros de tecido inútil em volta da actriz. Mas estes vestidos ainda se usam? Ou é um estilo mais Lady Gaga nos Grammys.

 
 
 
Jennifer Lopez: Confesso que gosto bastante daquele plástico com bolinhas que serve para proteger os objectos frágeis. Gosto, mas dificilmente faria um vestido com ele. Estará Jennifer fragilizada para precisar de tamanha protecção, sobretudo lateral?

Do lado oposto estão as mais elegantes:

 
 Sandra Bullock: Na noite da consagração Bullock apresentou-se com tudo a que tem direito. Um pequeno senão: já houve visuais muito parecidos em anos anteriores.
 
 

Tal como no grande ecrã, Meryl Streep raramente falha na passadeira vermelha. Este ano não foi excepção.
 

Demi Moore está cada vez mais parecida com o Vinho do Porto.
 
 
 

Cameron Diaz: Ainda bem que o vestido era deslumbrante assim ninguém reparou que envelhecida está a bela Cameron.
 
 
 

Penelope Cruz: Sozinha mas segura, Penelope Cruz tem conquistado o seu lugar em Holywood e na passadeira vermelha.

A Cerimónia – A consagração da guerra numa gala pacata

 
 
 
A cerimónia deste ano dos Oscars conseguiu o seu principal objectivo, aumentar as audiências. Assim sendo, a entrega de prémios do passado Domingo teve nos Estados Unidos 41 milhões de espectadores, um número francamente superior ao do ano passado, com uma audiência média de 36 milhões de telespectadores.

Kathryn Bigelow

O momento mais alto foi a atribuição do galardão para a categoria de melhor realizador, em que Kathryn Bigelow inscreveu o seu nome na história ao tornar-se a primeira mulher a chegar à estatueta. Não se pense por isso que a cerimónia tenha sido superior às suas antecessoras. Bem pelo contrário, insonso será o melhor adjectivo para classificar o que assistimos no Kodak Theatre, em Hollywood.
 

Martin e Alec Baldwin
 

Curiosamente, e num ano em que a apresentação era dividida entre Steve Martin e Alec Baldwin não foi nenhum dos apresentadores a iniciar o espectáculo. O número inicial estava destinado a a Neil Patrick Harris, o Barney de “How I met your mother”, estranho no mínimo. Harris não comprometeu nem entusiasmou, e o seu número ditou o tom de todo o espectáculo, morninho.

Longe da contestação de outros tempos, ou até do estado de graça do ano passado, os Oscars não tiveram garra. A cerimónia com o intuito de ser mais célere foi constantemente interrompida pelas apresentações das 10 obras nomeadas a melhor filme. Não houve canções, mas antes um aborrecidíssimo número de dança que apresentou os candidatos a melhor banda sonora. Completamente dispensável!

Quanto aos pontos mais altos, não posso deixar de destacar o stand up inicial, e o bom dinamismo da dupla de apresentadores, bem como a hilariante sátira ao filme “Paranornal Activity”. Também um belo momento foi a homenagem ao recentemente desaparecido John Hudges pelos seus actores “teenagers”.

Homenagem ao recentemente desaparecido John Hudges pelos seus actores “teenagers”

Pelo ponto negativo o esquecimento de Farrah Fawcett na homenagem aos falecidos, cuja morte foi completamente ofuscada pelo mediático desaparecimento de Michael Jackson no mesmo dia. Bem como a rapidez com que Tom Hanks anunciou o melhor filme. Nem se ouvia bem a voz dele pois a orquestra ainda tocava a saída de palco de Katryn Bigelow. Havia assim tanta pressa?
Mais uma vez ressalvo que não sou particular fã das apresentações pessoais dos actores. Vejo com bons olhos o esforço para encontrar pessoas que, pelo menos, tenham algo a ver com os nomeados, mas mesmo assim sempre achei mais poderoso o pequeno trailer com as linhas de força dos personagens. E nisso sou o mais tradicional possível. Quanto aos discursos de 45 segundos notou-se a atrapalhação da maioria mas a questão é simples, senão querem que as pessoas falem, é fácil tirem-lhes simplesmente os microfones do palco.

Concluindo, Steve Martin e Alec Baldwin não comprometeram mas sinceramente não me encheram as medidas. Pedia-se mais, sobretudo num ano de co-apresentação. Sendo que quer antes, quer durante, quer depois, James Cameron e a sua ex-mulher Katryn Bigelow serão obrigatoriamente as figuras. No ano em que o lobby por “The Hurt Locker”, polémicas à parte, derrotou o gigante projecto megalómano que estava quase condenado a ganhar: “Avatar”.

Afinal parece que a Academia sempre se sente mais perto de combates mais reais, do que os conflitos de Pandora.

 
Carla Calheiros

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