Michelle Williams
Michelle Williams e o ‘sex appeal’ de Marilyn
É um relato curioso sobre o breve encontro amoroso vivido pelo jovem Colin Clark com a diva Marilyn Monroe. Em 1954, no apogeu da carreira, mas também a transmitir sinais evidentes da depressão que a levariam à prematura morte. O filme é adaptado a partir do livro biográfico de Clark, mas também suportado por inúmeras outras fontes.
Não deixa de ser interessante a escolha deste tema para a estreia do produtor Simon Curtis na realização, até porque fica a ideia de uma maturidade e mesmo domínio do filmmaking. Um filme de época, onde se recria a rodagem de um filme dentro de um filme costuma ser um terreno fértil para eventuais espalhanços artísticos. Não é o caso. “My Week With Marilyn” pode não ser um filme de génio, mas tem o mérito de articular de forma escorreita este pedaço de história partilhando-o com uma bela combinação de actores com experiências tão diversas. Desde logo por Keneth Brannah, num pomposo Sir Laurence Olivier. Ele que fora apelidado logo no inicio da sua carreira como o “novo Olivier”. Depois, Eddy Redmayne, muito convincente a recriar Colin Clark – “gostava de poder dizer que fui eu quem o descobriu, mas isso não é verdade”, confessaria Curtis com um lamento -, mas também Emma Watson, num pequeno papel, mas onde da para perceber que Harry Potter pertence ao passado e que tem uma carreira pela frente. E Michelle Williams, claro. Fascinante, como a Marilyn ingénua, torturada, apaixonada e até perturbante ao despoletar aquela Marilyn vedeta. Há mesmo momentos arrepiantes, em que o seu rosto e postura sem fundem com os da verdadeira Marilyn. Já não é pouco.
Eddy Redmayne e Michelle Williams
Encontro com Simon Curtis em Roma
Simon Curtis não é propriamente um novato. Mesmo sem ser um fanático da superstar, este produtor com quase quatro dezenas de projectos no seu currículo, ficou
impressionado com o relato do emotivo encontro de Colin Clark com Marilyn durante a rodagem de “O Príncipe e a Corista”, em 1956. “Eu não parti para este filme como um grande fã da Marilyn Monroe,” admite. “Mas ao longo do filme tornei-me num deles.“
{xtypo_quote_left} Ela é mais um ícone do que uma grande actriz. É como a Lagy Gaga. A sua cara está em todo o lado. Muitas pessoas não conhecem a obra, mas conhecem o rosto{/xtypo_quote_left}”É um enorme desafio mostrar Marilyn ao mundo, apesar de não se tratar de nenhum biopic. Ela é mais um ícone do que uma grande actriz. É como a Lagy Gaga. A sua cara está em todo o lado. Muitas pessoas não conhecem a obra, mas conhecem o rosto.”
De facto, numa altura em que vivia o apogeu de uma fama icónica, era difícil não ficar siderado pelo efeito. Até o grande Laurence Olivier quis sentir essa proximidade, ainda que demonstrasse pouca paciência como as constantes repetições, atrasos e ingenuidades da diva. “Ela teve uma vida muito difícil e trabalhou para ter sucesso. De certa forma culpo o Olivier pelo comportamento que teve no set. Nesse capítulo não a ajudou como poderia.“
Quem muito ajuda para que o filme venha a ter a credibilidade que se deseja é Michelle Williams, com momentos de perfeita sintonia com a composição da estrela. Nesse ponto, Curtis não teve duvidas: “A Michelle foi a minha primeira escolha para a Marilyn aos 30. A Michelle consegue recuperar esse lado de diva e mulher.” Até porque no filme vemos três versões de Marilyn: “a do filme que sentava a rodar, a diva e a Marilyn dorida a chorar atrás da cortina.” Williams consegue esse feito que é o ‘clique’ de “ser a estrela, com todos os tiques, mas também passar incógnita“.
Como “My Week With Marilyn” evoca a rodagem de “O Príncipe a e Corista”, o realizador foi rigoroso na reprodução dos excertos utilizados. É caso para ver o original e procurar as diferenças. “Tínhamos esse filme como referência. Temos quatro ou cinco minutos que quis reproduzir de forma muito real.” Uma das cenas que ficará famosa é aquela que Michelle Williams executa um número musical do filme. “Esse foi um dia especial.”
No final da conversa, é sempre a Marilyn que voltamos. “Era uma grande actriz, não apenas uma estrela. Apesar de tudo, em 1955, ela desejava superar o estatuto de diva e tornar-se mesmo numa grande actriz. Tinha inclusive criado a sua companhia de produção e veio mesmo a Inglaterra trabalhar com o grande Laurence Olivier.“
Paulo Portugal, em Roma

