Comparado ao épico documental “A Batalha do Chile” (1975-1976), de Patricio Guzmán, na habilidade de recriar um país na agonia de um golpe militar, o filme “El Realismo Socialista” torna-se um do marcos da programação proposta por Jose Luis Rebordinos para o 71. Festival de San Sebastián ao resgatar cenas históricas rodadas há 50 anos. A montadora e realizadora Valéria Sarmiento foi a artista responsável por finalizar um projeto esboçado há cinco décadas pelo seu companheiro de obra e vida, o cineasta Raúl Ruiz (1941-2011). Os dois tiveram que deixar os projetos para trás, com a queda de Salvador Allende (1908-1973), e instalaram-se em França. Lá, Raúl idealizou clássicos, como “Le Temps Retrouvé” (1999) e ela filmou “Amelia Lopes O’Neill” (nomeadp ao Urso de Ouro de 1991) e “As Linhas de Wellington” (que disputou o Leão de Ouro de 2012).
“Espero muito que o resgate das imagens do que Raúl começou em ‘El Realismo Socialista’ gere reflexão e toque as novas gerações, embora o Chile que vá receber o filme esteja a viver uma onda forte da direita“, diz Valeria ao C7nema em Donostia. “O sonho que está o filme a partir dos registos de 1973 é o desejo de mudar a realidade de um país“.

Ao lado da cineasta, a produtora Chamila Rodríguez luta para que a longa-metragem tenha lançamento no seu país. “Estamos a contar com o circuito de salas independentes, e estamos já trabalhando para ocupá-las. É um esforço para que a História não venha a ser negada em um Chile que vê o avanço de uma direita evangélica“, diz Chamila.
Aos 84 anos, Valeria já trabalha num novo projeto documental, também dedicado ao pesadelo político na sua pátria natal e o desastre democrático gerado lá pelo general Augusto Pinochet (1915-2006).
“Acabo de terminar um documentário sobre o que se passou no meu país nos últimos 50 anos“, diz Valeria, que estreou na realização há cinco décadas, com “Un Sueño Como De Colores“, de 1972.
O Festival de San Sebastián segue até ao dia 30 de setembro.

