O escritor George RR. Martin afirmou que a série Guerra dos Tronos não foi muito boa para si, pois criou demasiada pressão. Por isso, e para ele, o final da série de TV foi um alívio.

“Acho que não foi muito bom para mim, pois aquilo que deveria apressar-me, na verdade atrasou-me. Todos dias, sentava-me e mesmo que tivesse um bom dia – que para mim seria escrever 3 ou 4 páginas – sentia-me mal, pois pensava: ‘Meu Deus, tenho de acabar o livro. Só escrevi 4 páginas quando devia ter escrito 40’. O final da série foi libertador, porque agora ando ao meu passo. Tenho bons e maus dias e o stress é bem menor, mas ainda existe… Tenho a certeza que quando acabar A Dream of Spring têm de me amarrar à Terra.“, disse Martin numa rara entrevista ao The Observer.
Martin voltou ainda a frisar que a polémica com o final da série de TV – que originou mesmo petições – não afetou a ideia que tem para o final da sua saga e para a qual ainda tem dois livros para publicar: “Não podes agradar toda a gente, mas podes agradar-te a ti“. Algumas teorias dos fãs “estão certas”, outras estão “erradas“, mas depois da comoção do final da série de TV, Martin confessa que se quer manter longe disso tudo. Os fãs vão saber a verdade “quando eu acabar de escrever“, explicou.
Reconhecendo que está muito mais reservado no que diz respeito à presença em convenções de fãs, Martin diz que atualmente não tem muito interesse em “ir a festas onde uma sucessão interminável de pessoas quer tirar selfies” com ele. “Isso não é divertido como era nos velhos tempos. É trabalho“.
Mostrando algumas saudades do passado antes da fama, o escritor acrescentou: “Já não posso entrar numa livraria e isso era a minha coisa preferida. Entrar, passear de corredor em corredor, pegar nos livros, ler um pouco, e sair de lá com uma pilha de coisas que nunca tinha ouvido falar. Agora, quando vou a uma livraria, sou reconhecido em 10 minutos e tenho um monte de gente à minha volta. Por isso, [com a fama] ganhas muito, mas também perdes“.

