«Travelers»: viagens no tempo para salvar a humanidade

(Fotos: Divulgação)

As viagens no tempo para salvar a humanidade têm sido apostas frequentes no cinema e na TV. Basta lembrar toda a saga Exterminador Implacável, Timecop e 12 Macacos, todas elas com adaptações televisivas, para mostrar que este é um tema que vende e fascina o espectador/telespectador.

Travelers (Viajantes no Tempo), projeto canadiano adquirido e exibido pela Netflix criado por Brad Wright (Stargate SG-1), surge assim como mais uma produção de género numa infindável lista de projetos televisivos de 2016 com as tais viagens no tempo como foco (Timeless, 12 Macacos, Making History).

No futuro, a humanidade está em perigo e os sobreviventes aprenderam a enviar a sua consciência para o passado (o século XXI) de forma a realizarem missões que permitam alterar os eventos. O objetivo? Evitar o destino trágico da humanidade.


O ator Eric McCormack (Will & Grace) é o grande rosto e líder destes viajantes do tempo, mas é a personagem interpretada por MacKenzie Porter que se revela a mais interessante da série

A forma como essa transferência para o passado se proporciona acaba por ser o elemento que dá mais unicidade e interesse ao projeto, até porque os «corpos» do século XXI que vão receber essas consciências podem não ser os mais perfeitos para isso (doentes, viciados, etc). Pelo meio, e para além dos problemas pessoais de cada uma das personagens, a série introduz também jogos de poder no futuro com consequências nesse passado (século XXI), os interesses militares da praxe e uma regidez de protocolos que a qualquer momento poderá levar estes viajantes a tornarem-se indecisos nas ordens que recebem.

Apesar de tudo isto até parecer um pouco complexo, Travelers é bem ligeira, contrariando a tendência moderna de entrar em demasiados diálogos metafisicos e filosóficos sobre as ações humanas e questões éticas, ou então em procurar análises psicológicas profundas sobre as suas personagens. Se por um lado isso afasta a série de qualquer acusação de pretencionismo, a verdade é que também a transforma num objeto extremamente limitado, remetido aos eventos episódio-a-episódio.

No melhor, está a dupla vida destes viajantes (consciências vindas do futuro em corpos que têm que continuar a sua vida no século XXI), mas isso é muito pouco para destacar esta série para fora do estatuto de consumo e visionamento fácil, tão leve como descartável, e sem grande fascínio ou expetativa na espera por uma nova temporada.

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