Hope: a busca por um ‘cinema primitivo’

(Fotos: Divulgação)

Odiado por uns, amado por muitos, Hope levou a controvérsia que serve de base à sua narrativa sci-fi à sala de conferências do 79.º Festival de Cannes, defendendo a opção do realizador sul-coreano Na Hong-jin de fazer um filme de 160 minutos em constante aceleração, sem tempo para respirar. A maior surpresa é perceber onde entram as estrelas ocidentais Alicia Vikander e Michael Fassbender numa narrativa sobre invasão alienígena.

“O primeiro festival a que fui, na minha carreira, aos 21 anos, foi o de Busan e foi lá que me apaixonei pelo cinema asiático. Depois vi The Chaser (2008), The Yellow Sea (2010) e The Wailing (2016), e fiquei louca para trabalhar com Na Hong-jin”, explicou Alicia Vikander, que surge em Hope sob a forma de uma criatura espacial, falando num dialeto próprio. “Sempre trabalhei em idiomas que não são a minha língua materna, o sueco, mas aqui é outro nível.”

Michael Fassbender brincou dizendo que entrou no filme porque Alicia, sua companheira, quis. “No cinema de Na Hong-jin nunca sabemos o que esperar.”

Considerado por muitos como a ousadia mais deliciosa desta competição pela Palma de Ouro, Hope traz sequências de ação que desafiam os padrões de excelência cinemática de sagas como John Wick (2014), referência máxima do género.

“É uma produção que precisava de sequências perigosas, que soassem fora do tempo, quase como um filme antigo, de ordem quase primitiva”, explicou Na Hong-jin ao C7nema. “Falo sobre o universo e essa perspetiva leva-me inevitavelmente aos extraterrestres.”

O Keanu Reeves de Hope é Bum-seok, interpretado por Hwang Jung-min, um tenente fardado e exímio atirador que mantém a lei e a ordem numa vila rural da Zona Desmilitarizada entre as duas Coreias. A descoberta do corpo dilacerado de uma vaca levanta suspeitas de um ataque animal. Não demora até que o polícia e alguns habitantes locais, entre eles um especialista em rifles de precisão, percebam tratar-se de uma criatura com uma aparência distinta de tudo o que nasceu na Terra. E essa entidade ataca com força suficiente para arremessar motas e carros. Mas não é a única.

“Trouxe atores da Coreia que ocupam grande parte do tempo de cena, mas também tenho as personagens interpretadas por Alicia, Michael e Taylor Russell. Queria criar um universo à volta dessas figuras”, explicou o realizador. “Nunca imaginei que Hope se tornasse um filme de ação. Esperava fazer um thriller. Foi durante as filmagens que descobri outra dimensão.”

Cannes decorre até dia 23.

Link curto do artigo: https://c7nema.net/scoe

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