Infantil até à quinta casa decimal, ao ponto de frequentemente pensar que estava a assistir a um novo “Spy Kids”, “Blue Beetle” é uma enorme oportunidade gorada de integrar uma espinha dorsal cultural vibrante (a latina-americana) no universo dos super-heróis norte-americanos e, nesse processo, refrescar um subgénero obsoleto e repetitivo nos seus arcos narrativos, que se esgota a cada filme que passa.
Partindo de um legado de comics onde já tivemos vários “besouros” – Dan Garrett (surgiu em agosto de 1939, em Mystery Men Comics #1), Ted Kord (surgiu em 1966 na Captain Atom #83) e finalmente Jaime Reyes (surge em 2006 em Infinite Crisis #3)-, esta nova incursão da DC, em seguimento de lançamentos como “The Flash”, “Shazam!: Fury of the Gods” e “Black Adam”, revela-se um carnaval de estereótipos, todos adocicados em torno de uma família que vai acompanhar e ajudar toda a jornada do “herói”. Família é família, lá diria Don Toretto.
E quando menciono estereótipos, não me resumo aos culturais destes latinos que falam o tal “spanglish” (espanglês), mas particularmente na lengalenga habitual da construção dos super-heróis adolescentes ou jovens adultos. E podemos começar pela descoberta e apropriação de uma engenhoca luminosa por parte de Reyes, a qual foi roubada de uma corporação maléfica por uma jovem, Jenny (Bruna Marquezine), que se revolta contra a mãe, Victoria Kord (Susan Sarandon), a típica vilã corporativa que nunca é explorada além do chavão.
“Atacado” pela própria engenhoca alienígena, no meio da família que vê com estupefação todo o espalhafato da sua transformação, Reys adquire um traje super poderoso, com o qual – naturalmente – vai ter dificuldades em lidar/domar, produzindo uma mão cheia de gags físicos de índole juvenil, tão comuns neste universo.
Claro está que a tal Victoria, uma sombra da ética que o pai de Jenny tinha, vai querer a engenhoca de volta, colocando o miúdo e a sua família em sobressalto, e apontando todas as baterias bélicas a eles. Nessa tarefa, Carapax (Raoul Max Trujillo), um capanga de Victoria, que esconde em si a história de um órfão transformado em menino-soldado, representa o maior perigo para Reys e parentes.
Profundamente negligente nas sequências de ação, todas elas genéricas e confinadas a espaços escurecidos com muita pirotecnia e robótica a estalar e brilhar (às vezes penso que os estúdios pensam que somos todos zombies a delirar com o “fogo de artifício”), faltava ainda a “Blue Beetle” ser manipulador emocionalmente, não apenas quando chega um momento de luto, mas igualmente quando se entrega um “sacrifício lamecha”, e um romancezinho de cordel, o qual sublinha, a negrito e itálico, toda uma citação dos esquematismos que existem nos piores exemplares deste género de filmes.
No final, fica a sensação que seria preferível ver uma prequela da história de vida da “Nana” de serviço, porque a de Reys e restantes familiares é puro tédio em estado bruto.

















