Morreu o realizador Alan Parker

(Fotos: Divulgação)

Faleceu aos 76, vítima de doença prolongada, o cineasta Alan Parker, nomeado ao Oscar duas vezes e realizador de filmes como “O Expresso da Meia-Noite“, “Mississipi em Chamas” e “Angel Heart – Nas Portas do Inferno“.

Antes de trabalhar em cinema, Alan foi considerado um dos mais talentosos nomes da publicidade em Londres, trabalhando para a Collet Dickinson Pearce (CDP) na década de 1960 e no início da década de 1970 .

A sua transição para a 7ª arte começou com a escrita do guião de “Melody“, filme de 1971 assinado por Waris Hussein, mas a estreia na realização de longas-metragens apenas aconteceum em 1976, com “Bugsy Malone“.

Em 1978, com o guião escrito por Oliver Stone, assinou “O Expresso da Meia-Noite“, filme onde um jovem norte-americano é detido e encarcerado por tráfico de drogas na Turquia. Esta obra valeu-lhe a primeira nomeação aos Oscars.

Seguiram-se o sucesso musical “Fama” (1980), o drama “Depois do Amor” (1982), “Pink Floyd The Wall” (1982) e “Birdy: Asas de Liberdade” (1984). Foi em 1987, em “Angel Heart – Nas Portas do Inferno“, que conseguiu juntar no elenco Robert De Niro e Mickey Rourke, tendo a dupla dado um trabalho extra ao cineasta, já que se desentendeu, mantendo até hoje esse feudo.

Em 1989 lançou um dos mais poderosos filmes sobre o racismo no sul dos EUA, colocando lado a lado Gene Hackman e Willem Dafoe à procura de ativistas dos direitos civis que desapareçam numa terra onde o Ku Klux Klan ainda domina. Nomeado a seis Oscars, entre eles o de melhor realizador, o filme sairia apenas com uma estatueta, entregue ao diretor de fotografia Peter Biziou.

A partir de 1990, Parker vai diminuindo a produção de obras, destacando-se os seus filmes “Venha Ver o Paraíso” (1990), “Os Commitments” (1991) e “Evita” (1997), drama musical onde Madonna assumia o papel de Eva Perón.

Afastado dos ecrãs desde 2003, depois de lançar o fracassado “Inocente ou Culpado?” (“The Life of David Gale”), Parker diria em 2008 numa entrevista ao Jornal Globo, aquando da sua visita a um certame na Amazónia: “O mundo ficou algo muito antisséptico e analgésico no cinema atual, apostando em redenção mesmo quando se propõe a refletir sobre a realidade. Redenção não é algo que me interessa, pois não tenho apreço pela calmaria, apenas pelo aguaceiro, pela tormenta. Sou um artista que mira nas sombras alheias“.

Ainda assim, só em 2015 assumiu o adeus definitivo aos filmes e ao Cinema, tendo em entrevista ao THR afirmado: “Filmo desde os 24 anos, e todos os dias foram uma batalha, todos os dias foi difícil, ora porque lutas contra o produtor que tem opiniões com as quais não concordas, ou os estúdios, quem quer que seja. O cinema é extremamente caro e, no momento em que se tornou caro, tens pessoas a quem servir“.

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