Rehearsals for a Revolution, de Pegah Ahangarani (Chéquia/Espanha), venceu o L’Oeil d’Or, a Palma de Documentários do Festival de Cannes, na sua 79.ª edição.

Através de cinco retratos de entes próximos — todos figuras de resistência —, Ahangarani constrói um relato íntimo da sua própria vida. Recorre a arquivos pessoais, vídeos de família, imagens de manifestações, recortes de imprensa e gravações áudio para atravessar mais de quatro décadas da história do Irão. Dos primeiros impulsos revolucionários de 1979 até ao conflito em curso em 2026, estabelece um diálogo entre memória individual e história coletiva, desenhando o retrato de um país marcado pela repressão política, mas movido por um persistente desejo de liberdade.
“Queria dedicar o prémio ao povo do Irão, que não se cansa de lutar”, disse a realizadora ao receber a distinção, atribuída na Croisette desde 2015.
O realizador ucraniano Mstyslav Chernov presidiu ao júri, acompanhado por Tabitha Jackson, Géraldine Pailhas, Lina Soualem e Victor Castanet. O coletivo atribuiu ainda uma menção especial a Tin Castle, de Alexander Murphy (Irlanda/França), apresentado na Semana da Crítica. “Passámos por uma diversidade total, da docuficção à animação e à inteligência artificial”, afirmou Chernov.
O festival encerra este sábado, com a entrega da Palma de Ouro.

