
Numa entrevista ao The Hollywood Reporter, por ocasião da estreia em Berlim de Nobody Wants the Night [ler crítica], a cineasta catalã Isabel Coixet foi particularmente incisiva na sua crítica ao sexismo que existe na indústria cinematográfica, afirmando mesmo que é necessário mais ação para combater o problema: «Precisamos de financiadores verdadeiros e sinceros sobre o que querem e devem fazer – e fazê-lo.»
A realizadora de filmes como Mapa dos Sons de Tóquio usou mesmo uma frase da comédia romântica Jerry Maguire para definir o que é preciso: “Show me the money.” «Talvez isto seja pedir algo impossível. Financiadores sinceros. Nós somos uma chocante minoria. O que é pior é que somos uma minoria a desvanecer-se. Os nossos salarios são sempre inferiores aos nossos colegas do sexo masculino», acrescentou a realizadora, concluindo com a promessa que nunca irá parar de lutar para fazer filmes: «Nunca o farei. [Fazer filmes] É a minha vida. É o que gosto de fazer desde que os meus pais me ofereceram uma câmara Super 8 quando tinha 7 anos. Eu nunca pensei na altura – que ingénua que era! – que o facto de ser mulher poderia me travar. E não travou. Não porque sou corajosa – não o sou – mas porque sou realmente teimosa! Acho um verdadeiro milagre ter feito 11 filmes. Mas se para todos os realizadores do mundo o seu caminho está cheio de pedras, no caso das realizadoras está cheia de rochas gigantes. Eu só peço que me coloquem as mesmas pedras [no caminho] que colocam a um homem. É tudo o que peço».
Já hoje no Festival de Berlim, Coixet [que teve de pronunciar o seu último nome a pedido de uma jornalista e até falar do café na Bulgária (pais que co-produziu a obra)] voltou a pegar no assunto, frisando mais uma vez que é importante abordar este tema, mas que por vezes tem a sensação que se anda em círculos nele: «Eu quero ver mais ação e menos palavras. Eu quero mais dinheiro para as mulheres. Eu não quero um salário igual. Eu quero mais…».

Nobody Wants the Night
Recordamos que Nobody Wants the Night, conta com Juliette Binoche, Gabriel Byrne e Rinko Kikuchi no elenco. No filme seguimos duas mulheres de mundos distintos que têm de sobreviver num dos locais mais inóspitos do planeta e esperar, cada uma à sua maneira, pelo homem que amam. De um lado temos Josephine Peary (Binoche), uma mulher orgulhosa mas ingénua que está apaixonada por um homem que prefere a glória ao conforto do lar. Do outro temos Allaka (Kikuchi), uma jovem mulher Inuit que está apaixonada pelo mesmo homem e do qual espera um filho.

