
O realizador japonês Hirokazu Kore-eda, realizador de filmes como Ninguém Sabe e O meu maior desejo, declarou durante o Festival de Cinema de Marraquexe que está prestes a terminar as filmagens do seu novo filme: Kamakura Diary.
Baseado na manga Umimachi Diary, criada por Akimi Yoshida, o filme tem a ação em torno de quatro irmãs durante as quatro estações do ano: «Já finalizei [as filmagens] de três estações. Ainda tenho cinco dias de filmagens quando regressar ao Japão para fazer o “Inverno”. Depois disso tenho de editar o filme».
Kore-eda, cujo último filme, Tal Pai, Tal Filho, foi premiado em Cannes, adiantou ainda que seria ótimo estrear o novo projeto novamente no festival, mas que para já só quer completar a obra.

O Cinema japonês foi homenageado em Marraquexe
Vale a pena referir que em declarações ao THR, o cineasta afirmou ainda que o cinema atual passa por uma crise, mas que teme que no Japão ela se faça sentir mais daqui a uns anos: «Temos uma crise no Japão, embora seja difícil de a ver do lado de fora pois os filmes japoneses conseguem se financiar apenas com o nosso mercado. Por isso não é uma crise a céu aberto. O problema é que os filmes japoneses conseguem render dentro do país, mas não fora dele (..:) temos dificuldade em exportar e a sair do Japão (…) a linguagem é um problema, mas a verdade é que somos pessoas a viverem numa ilha, num mundo muito fechado (…) Na nossa comitiva temos três membros que decidiram filmar fora do Japão: o Sr. [Hideo] Nakata tem essa experiência e o Sr. (Kazuyoshi) Kumakiri e o Sr. (Kiyoshi) Kurosawa vão filmar em França. Nós temos consciência que precisamos abrir a nossa mente e trabalhar fora».
Quando questionado até que ponto os mercados sul coreano e o chinês afetam o cinema japonês, Kore-eda confirma que Hollywood quando olha para a Ásia já não olha para o mercado japonês, mas para o Chinês e que as estrelas já não vão a Tóquio, mas a Xangai.
O realizador aponta ainda a qualidade do cinema sul coreano, o que até é bom porque estimula os cineastas japoneses a tentar fazer bons filmes como eles: «em termos cinematográficos não precisamos pensar que estamos num campeonato mundial, que precisamos ganhar. Se lutarmos contra o mundo, se lutarmos contra a Europa, vamos perder. Mas na Ásia vamos ganhar, ou não? Isto não é futebol. Em termos asiáticos queremos crescer juntos. Ser estimulados pelos outros e crescer conjuntamente».

