Pedro Costa diz que que faltam convicções ao cinema atual

 

Numa entrevista ao jornal espanhol El Periódico, por ocasião da presença de Cavalo Dinheiro no Festival de Cinema Europeu de Sevilla, Pedro Costa afirmou que o grande problema do cinema e das artes nos dias que correm é que «carecem totalmente de convicções», sejam estas sociais, religiosas ou políticas.

Para o realizador de filmes como Sangue (1989), No Quarto da Vanda (2000) e Juventude em Marcha (2006), «o cinema está num limbo, à margem do quotidiano, e o seu desenvolvimento reflete um desejo onanista e mercantil».

Questionado se é um «resistente» a essa realidade, Costa preferiu afastar-se da força que a palavra implica, preferindo antes adotá-la para as suas personagens e para 95% da humanidade.

Já quando confrontado com a afirmação que Cavalo Dinheiro «medita sobre o fracasso dos ideais da Revolução dos Cravos» e mostra, em particular, uma forma de corrupção especificamente portuguesa, o cineasta afirmou que há algo de «podre» no nosso país: «Eu estudei História e em especial História Medieval da Península Ibérica. Há uma bactéria horrorosa que nos contaminou, quem sabe se quando a organização industrial da sociedade se sobrepôs às relações humanas, ou então até antes, quando começamos a queimar vivos quem pensava de forma distinta».

O realizador completou o seu raciocínio, afirmando que «cavamos sempre a nosso sepultura» e que «vamos morrer porque não sabemos viver».

Recordamos que Cavalo Dinheiro estreia em Portugal no próximo dia 4 de dezembro. Ontem foi lançado um novo teaser trailer.

Destaques