
Numa entrevista à Details, Ewan McGregor admitiu que a sequela de Trainspotting poderá acontecer e que existem mesmo planos para filmá-la em 2016, ou seja, vinte anos depois de ter estreado o primeiro filme.
Recordamos que há bastantes anos se fala de uma sequela cinematográfica do filme do Danny Boyle, até porque ela existe em termos literários. Numa entrevista à Cinematical em 2010, Danny Boyle revelou que a continuação de Trainspotting, intitulada Porno, baseada na obra homónima de Irvine Welsh, deveria ainda acontecer, passando para o lado dos atores a “responsabilidade” da continuação. «Eu vou falar com todos, depende onde cada um esteja na altura», afirmou o cineasta na época.
Curiosamente, o mais complicado de conseguir seria mesmo o regresso de McGregor, que interpretava a personagem principal: Mark Renton. Diz-se que McGregor cortou relações com Boyle depois deste ter voltado atrás na palavra e ter aceite a imposição dos estúdios de cinema aquando da produção de A Praia. Relembramos que originalmente McGregor ia desempenhar o papel principal, acabando Leonardo DiCaprio por assumir esse protagonismo. O próprio ator admite nesta nova entrevista que há 10 anos atrás não teria aceite participar na sequela de Trainspotting, mas que agora já passou muito tempo e aceita fazê-lo.
Porno, o livro
O sucesso de “Trainspotting”, quer do livro, quer da sua posterior adaptação ao cinema, ditou a regra. Era necessário “ressuscitar” o grupo de viciados escoceses para mais uma aventura. E assim, em 2002, Irvine Welsh edita Porno, a aguardada sequela.
Dez anos passaram desde o dia em que Mark Renton fugiu com o dinheiro do golpe da heroína. Face ao trabalho anterior, emerge um novo protagonista, Sick Boy. No início, vamos encontrá-lo em Londres, onde vive de pequenos golpes, alguns enganos e de um instável emprego como barman. Mas Sick Boy ambiciona mais, e resolve que é tempo de regressar a Edimburgo. Spud é o mesmo: viciado, deprimido, degradado, o típico e fiel “agarrado”, que tenta a custo refazer a vida com Alison (a mãe da bebé Dawn, filha de Sick Boy, que morre em “Trainspotting”). Begbie continua preso, mas a sua libertação é iminente. A prisão fê-lo ainda mais psicótico e violento e deu-lhe um objectivo de vida, acabar com Renton.
E é assim que vamos encontrar as nossas bem conhecidas personagens, às quais se junta Nicola Fuller-Smith, uma muitíssimo ambiciosa estudante de cinema que tentará a todo o custo triunfar sem olhar a meios, mas que acaba por cair num grande erro ao envolver-se com Sick Boy.
Quando se torna proprietário de um bar em Edimburgo, e com a ânsia de conquistar dinheiro facilmente, Sick Boy idealiza um plano infalível; tornar-se produtor amador de vídeos pornográficos. Mas numa viagem a Amesterdão, Sick Boy encontra uma inesperada surpresa: Mark Renton, que é agora um bem sucedido empresário da noite holandesa. E a partir daqui, os dados estão lançados, e tudo pode acontecer…
Entre Londres, Edimburgo, Amesterdão e Cannes, o livro vai-nos guiando de forma fluida e despretensiosa ao longo das aventuras e trapaças do grupo principal, tendo a particularidade de cada capitulo ter a narração de uma personagem diferente, embora sempre em linha com a mesma sequência temporal. Os secundários são mais que muitos, e tal como aconteceu em Trainspotting, é possível que na sua adaptação ao cinema caiam alguns personagens e algumas situações.

