
Gilles Jacob, o presidente do Festival de Cannes que deixa serenamente a sua posição no final desta 67ª edição, afirmou hoje de manhã aos microfones da RTL que os produtores de Welcome to New York – o filme de Abel Ferrara sobre o caso Dominique Strauss-Kahn – foram oportunistas em apresentar a fita durante o Festival, isto depois dela ter sido recusada na seleção oficial: «acho que esse foi um mau caminho seguido pelos produtores do filme, que o colocaram em frente aos filmes selecionados para a competição de forma a conseguirem os holofotes (…) é uma espécie de parasitismo, como os cucos fazem nos ninhos alheios», afirmou Jacob.
Quando questionado sobre o filme em si, Jacob recusou dar o seu parecer, mas acrescentou: «Eu mantenho o que penso, mas em qualquer caso, o filme não foi selecionado, por isso deve arcar com as consequências e não forçar o seu destino».
Já sobre a Palma de Ouro atribuída a Winter Sleep, de Nuri Bilge Ceylan, Jacob começou por referir que se trata de «um filme turco na tradição de Bergman, que dura mais de três horas mas que ao mesmo tempo é intenso, emocionante e muito talentoso». Jacob lamentou ainda que não existam prémios suficientes para todos os que mereciam, como os irmãos Dardenne, Abderrahmane Sissako ou Naomi Kawase. «É um pouco triste, mas é o jogo», concluiu.

