
O realizador Michael Haneke, vencedor por duas vezes da Palma de Ouro no Festival de Cannes, afirmou ontem (sexta-feira, 23) numa entrevista a um grupo de jornalistas espanhóis em Madrid que não faz «nenhuma ideia» do que se está a passar no Festival de Cannes e que só vai ao certame quando tem um filme presente, porque de resto, «o que ia lá fazer?».
O austríaco confessou que não é muito amigo de eventos sociais e dos festivais, mas que não é por isso que deixa de estar a par do trabalho de alguns colegas que lhe interessam: «Há determinados colegas de quem me interessa sempre ver os seus trabalhos, mas para isso não preciso ir a Cannes. Sou membro de várias academias, eles mandam o DVD e eu vejo».
Quanto a futuros projetos, o cineasta afirma que tem um e que já escreveu o argumento, mas recusou-se – como é habitual – a revelar detalhes, até porque sente sempre medo antes de avançar para uma nova produção: «Todo o sucesso do mundo não ajuda um novo projeto, nem os prémios de Amor o fizeram (…) Começamos sempre do zero.»
Finalmente, Haneke falou ainda da questão dos apoios ao cinema europeu, algo que considera fundamental, pois sem eles não é possível concorrer com o mercado norte americano e asiático, classificando mesmo que Hollywood quer apagar o cinema europeu do mapa.

