
Numa pequena entrevista presente no site do Festival de Cannes, Ryan Gosling confessou que está a escrever o guião para uma comédia, mas que «de momento, não é muito engraçada» e que por tal está «a tentar remediar isso».
Gosling, cuja sua estreia na realização, Lost River, foi hoje exibida no certame, admitiu que o seu primeiro projeto como realizador, tem «uma história simples, como um conto de fadas». No filme, e segundo a descrição que encontramos na dossier de imprensa oficial, estamos numa cidade em vias de desaparecer e seguimos segue Billy, uma mãe solteira de dois filhos, que é conduzida a um mundo escuro e macabro, quando Bones, o seu filho mais velho, descobre uma entrada secreta que leva a uma cidade submersa.
Para Gosling, a ideia surgiu quando teve a ocasião de trabalhar em Detroit: «É uma cidade muito especial com uma história incrível e um futuro misterioso. Há bairros abandonados que se estendem sobre vários quilómetros, nos quais vivem famílias e filhos que crescem em ruas onde as casas são queimadas ou demolidas. É surrealista e isso faz-me pensar num conto de fadas macabro, e não apenas por causa da destruição. Portanto, decidi realizar um filme sobre o mesmo modelo, do sonho ao pesadelo, sobre uma família que vive numa realidade na fronteira do fantástico.».

Quanto a influências, Gosling já tinha escrito na sua nota de intenções que crê que o seu cinema está algures entre o realismo de Derek Cianfrance (Bue Valentine – Só Tu e Eu, Coração de Trovão) e o imaginário de Nicolas Winding Refn (Drive, Só Deus Perdoa) e que oscila entre esses dois extremos, mas nesta nova entrevista admite que foi influenciado pelo cinema dos anos 80 e do início dos anos 90: «De Experiência Alucinante de David Cronenberg a O Regresso do mal de John Carpenter. Os filmes fantásticos, os dramas, as comédias e os filmes de terror misturavam-se todos. Partilhei muitas referências com o meu compositor Johnny Jewel enquanto realizávamos a banda sonora original do meu filme e, a um determinado momento, disse-me:”Porra, o que te aconteceu entre 1988 e 1994″?! »

