
Para o realizador de A Fonte e O Cisne Negro, Darren Aronofsky, a polémica em torno de Noé, o seu mais recente trabalho, é falsa. “Eu estou mais preocupado com os não-crentes que irão às salas do que com os outros“, declarou ele ontem (07/03). Para Aronofsky, interessa-lhe mais as reações que as pessoas de mente aberta terão após o visionamento do filme. “Toda a controvérsia está ligada ao desconhecido e ao medo que as pessoas têm em explorar uma história bíblica. Isso tudo desaparecerá após verem o filme“, acrescentou. Ao mesmo tempo, ele acha mais preocupante que os não-crentes evitem o filme a pensar em algo como ” ‘Não vou ao cinema ver uma história da Bíblia'”.
Com isso o cineasta também questiona na diagonal a política de exibições-teste da Paramount, que tem escolhido grupos religiosos para as sessões. Estes, como se sabe, não são propriamente as fontes mais isentas no momento de analisar obras que possam sair dos seus dogmas rígidos e as polémicas antes do lançamento do filme têm sido intensas. A própria empresa, no entanto, já qualificou as controvérsias de “enganosas”.
O último capítulo da confusão havia sido a decisão da companhia de adicionar uma epígrafe no início do filme a dizer que foram tomadas liberdades artísticas em relação à história bíblica, mas sem ofender as crenças de milhares de pessoas. Outra notícia surgida essa semana foi de que três países árabes proibiram o filme por lá – medida a qual outros três devem unir-se. A justificação é de que viola a lei do Corão ao reproduzir as figuras sagradas – nesse caso, de um mensageiro de Alá. Nisto nada há de espantoso: se na cultura ocidental dominada por uma mentalidade laica a tinta já anda a correr, imagine-se numa civilização ainda fortemente apegada ao sentido de religiosidade.
Chega de blockbusters

O realizador também não esconde que o processo de pós-produção do filme, onde não teve a palavra final na edição, foi uma grande dor de cabeça e admite que o seu próximo trabalho será de menor orçamento. “Eu gosto de grandes projetos, mas não vou entrar em outro tão cedo. Preciso de uma pausa“.
Aposta de risco da Paramount, que vai tentar usar a proximidade da Páscoa para rentabilizar os 125 milhões de dólares investidos na produção, o filme chega às salas a 27 de março em Portugal, data onde será lançado na maior parte do mercado mundial. O elenco é de grande nível, com Russell Crowe a liderar e ainda com a presença de Jennifer Connelly, Emma Watson, Nick Nolte e Logan Lerman, entre outros.

