O realizador japonês Takashi Miike afirmou hoje no Festival de Cinema Fantástico da Catalunha (Sitges), durante uma masterclass, que está na altura de fazer filmes mais radicais, brincando com a frase ao afirmar que se por acaso for expulso do seu país por isso, irá falar com o governo espanhol para que o deixem viver em Espanha e fazer filmes. «Depois disso vou passar o tempo na praia de nudistas que há em Sitges», afirmou Miike, que irá receber amanhã, sábado, o prémio honorário do festival, que este ano, para além de lhe dedicar uma retrospetiva, e de ainda passar os seus dois últimos projetos, Lesson of evil (2012) e Shield of straw (2013), promoveu a publicação de um livro em torno do autor.
Cineasta de exceção com uma carreira repleta de obras antagónicas, Miike é responsável por verdadeiros filmes choque carregados de perversões e transgressões (como Audition, Visitor Q e Gozu), obras de cariz mais infantil e familiar (Ninja Kids) e dramas de ação histórica ou filmes de época (13 assassinos e Sabu, por exemplo). Ichi The Killer, Agitator e Ace Attorney são outras obras num extenso curriculum que o próprio categoriza como extremamente variado em géneros e não limitado ao radicalismo e extremismo de violência gráfica como muitos lhe apontam. Aliás, o próprio Miike admite que essa conotação de cineasta radical é feita na Europa pois apenas os seus filmes com gore e violência singram neste continente: «Eu apresento outro tipo de filmes, mas as pessoas parecem não as aceitar», completou.
Pegando no exemplo de Shield of Straw, o autor admite que o filme foi-lhe entregue por produtores que lhe pediram para não carregar na violência, de forma a abranger mais publico. O próprio Miike fez questão de avisar o público na apresentação do filme no festival, dizendo que se esperavam rios de sangue e violência, então seria melhor irem ver o Audition que se encontra em exibição na sua retrospetiva.

