A Palestra
Ao segundo dia, a primeira desilusão. Não pela qualidade do festival, mas pela curta aderência. Talvez devido ao futebol (a seleção nacional jogava à mesma hora), tirando os convidados e a imprensa, estariam talvez 10/15 pessoas. Em comparação com o dia anterior, é desapontante.
Todavia, foram poucos mas bons, os que viram as propostas para hoje.
Em primeiro lugar foram convidados ao palco os realizadores das curtas do dia. São eles Leonor Teles (Rhoma Acans), André Marques (Luminita) e Luís Costa (Fontelonga). Os discursos foram curtos e aguçaram a curiosidades sobre o que iriamos ver a seguir.
A primeira proposta foi A Palestra (do já conceituado Bruno de Almeida). Pelo que prometia, e pelos belos planos sobre a cidade de Guimarães, foi pena a história recheada de clichés. Um expert em Edgar Allan Poe, que acaba por viver uma aventura tão fantasiosa, quanto a mente deste escritor. Uma produção para Guimarães capital da cultura 2012, que acabou por ser de certa forma desinteressante.
Para contrastar com a desilusão da noite, eis a surpresa. Leonor Teles, jovem de 20 anos e acabadinha de sair da faculdade, filma uma curta capaz de fazer corar o maior entendido. Em formato de doc, Leonor entra pela cultura cigana e consegue fazer um retrato bem real, sem cair no melodramático ou no sensacionalismo O profissionalismo, aliado ao cunho pessoal e à fotografia do documentário, leva a que estes 14 minutos, tenham sido dos melhores da noite.
Rhoma Acans
A última obra, antes do intervalo, foi O Coveiro (já premiado no Motelx), de André Gil Mata. Uma história de um menino que nasce monstro e que conta com a ajuda da lua e de um romance bastante inventivo, para ajudar a contar a narrativa. Uma excelente proposta.
Após a pausa, foi tempo da visualização de Luminita. Onde dois irmãos se reencontravam para o funeral da sua mãe, não existindo a melhor relação entre os dois. Esta foi uma das obras com mais potencial da noite, falada em romeno e com boas interpretações. Talvez pudesse ter-se focado mais nas relações entre os irmão e menos no contexto em si.
Foi então tempo de mais um doc, neste caso Fontelonga. Aqui, mais que um exercício sobre a zona que dá nome ao filme, trata-se de um exercício de memória contado na primeira pessoa. No final, é perceptível o envelhecimento e a desertificação que existe no meio rural Português. O preto e branco desta obra não poderia ter sido melhor escolhido para pintar as cores de Portugal. Luís Costa, acabou por ser outras das surpresas do certame. Com apenas 19 anos, já mostra alguma maturidade, em termos de concepção visual, bastante apreciável.
Fontelonga
Por fim, o melhor da noite, Gambozinos, de João Nicolau. Esta produção da Som e a Fúria, é talvez a curta mais contagiante e uma forte candidata ao prémio final. A narrativa passa-se num campo de férias, onde convivem diferentes faixas etárias. Com isso, as partidas são constantes. Todavia, o melhor é a música original Antónia Josefina, um dos melhores raps do cinema Português.
Terminada que estava a sessão, o saldo foi mais uma vez positivo. As propostas apresentadas foram bem escolhidas, veremos o que acontece no 3º dia, onde continuará a competição nacional.

