Depois de Fernando Pessoa e do seu Livro do Desassossego é a vez de outro clássico da literatura portuguesa chegar ao grande ecrã pelas mãos de João Botelho – conforme informou o realizador em conferência de imprensa realizada hoje (10/10) em Lisboa.
As filmagens de Os Maias, baseado na obra de Eça de Queiroz, iniciam-se na próxima segunda-feira (14/10), no norte do país, onde decorre durante todo o mês de outubro em locais como Ponte de Lima e Celorico de Basto. Em novembro e dezembro a produção desenvolve-se na capital portuguesa. A obra será lançada pela Zon em setembro de 2014 e, em 2015, será lançada no formato de série pela RTP. No total, 52 atores compõem o elenco, entre os quais Graciano Dias, João Perry, Adriano Luz, Rita Blanco, Catarina Wallenstein e Marcello Urgeghe.
Segundo o produtor Alexandre Oliveira, a obra tem um orçamento de € 1,5 milhões, valor arrecadado com verbas do ICA, instituição onde o projeto já está aprovado há dois anos, mais recursos da RTP, da Câmara Municipal de Lisboa, do Montepio Geral e de uma companhia brasileira. Neste último caso, a parceria ocorreu através do protocolo luso-brasileiro, ficando garantido o lançamento da obra no país.
“A demagogia dos políticos permanece a mesma”
Numa conferência marcada pela revolta contra o governo de Passos Coelho, Botelho fez questão de ressaltar a profunda atualidade do panorama social e político retratado no romance. “Em Portugal nada muda. A demagogia dos políticos e o comportamento das elites permanecem os mesmos“, disse.
Oliveira, por sua vez, voltou a acusar o primeiro-ministro de indiferença perante o setor – alguns dias depois de vários profissionais do cinema se terem manifestado contra a não aplicação da lei que exige das operadoras de TV a Cabo a sua contribuição para o cinema. “O setor está a definhar e as estruturas estão a desaparecer. Nenhuma atividade suporta estar dois anos parada“, observou.
Os Maias já foi adaptado numa série televisiva brasileira, mas é a primeira vez que chega ao grande ecrã. A obra cobre cinco décadas na vida de uma família, com a ação a desenrolar-se a partir de 1820. Além das mais diversas peripécias dramáticas, o livro traça um vasto panorama da sociedade portuguesa do século XIX. Botelho reforçou que esta será uma adaptação muito fiel ao romance.

