À medida que se aproxima o final do prazo para a indicação de filmes na corrida ao Oscar de Melhor Filme de Estrangeiro, aumenta o volume de países a anunciarem as suas escolhas. Assim, o Camboja, o Cazaquistão, o Egito, a Estónia, o Irão, Israel e a Palestina foram os mais recentes territórios a indicar obras que vão concorrer à nomeação nesta categoria.
Não se pode dizer que há surpresa na escolha do candidato cambojano. L’Image manquante (The Missing Picture), de Rithy Pahn, que já tinha conquistado este ano o principal prémio na secção Um Certo Olhar no Festival de Cannes, foi o escolhido na corrida ao Oscar. Neste trabalho, Pahn – que fugiu dos campos de trabalhos forçados do Khmer Vermelho, onde perdeu parte de sua família – procura “a imagem que faltava” do genocídio (daí o nome do filme), que o permitiria contar a história.
O Cazaquistão optou por Shal (Old Man), um filme de Ermek Tursunov que tem como particularidade o facto de se basear na obra O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway. No filme, protagonizado por Yerbolat Toguzakov [que foi considerado o melhor ator do Cazaquistão em 2013] seguimos um velho homem que vive com a família numa zona remota nas estepes. É aí que ele tenta apaziguar os ânimos num local inóspito e ensinar ao seu neto os valores e prioridades da sua vida.
Shal
Já a escolha egípcia recaiu em Winter of Discontent, um retrato cru da tortura durante o «reinado» de Hosni Mubarak e os esforços da policia secreta em travar a revolução no país em 2011. Estreado em Veneza em 2012, e assinado por Ibrahim El Batout, este é filme com um longo percurso em festivais.
A Estónia optou por Free Range, um filme assinado por Veiko Õunpuu [que já venceu a secção horizontes do Festival de Veneza com Baile de Outono] e que segue um jovem escritor que tem de tomar uma decisão fundamental sobre o seu futuro depois de descobrir que a sua namorada está grávida.
Quanto ao Irão, a escolha recaiu em Le Passé. Nesta fita que sucede a A Separação, vencedor do urso de Ouro em Berlim e do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, Asghar Farhadi como que retoma alguns dos temas já abordados nessa obra. Porém, agora a trama desenrola-se em Paris num triângulo amoroso entre Bérénice Bejo (O Artista), Ali Mosaffa e Tahar Rahim. Mosaffa é Ahmad, um iraniano que viaja de Teerão para Paris a fim de regularizar o divórcio com a ex-mulher Marie (Bejo), o que acaba por produzir a insegurança do atual companheiro Samir (Rahim) e até dos filhos de ambos.
Le Passé
Entretanto, Israel distinguiu nos Prémios Ophir o novo trabalho de Yuval Adler, Bethlehem (Belém), e consequentemente selou o seu candidato à nomeação, que a acontecer seria a 5ª deste estado.
Bethlehem acompanha Sanfur, o filho mais novo de um militante palestino, que é recrutado por Razi, um oficial dos serviços secretos israelitas. Os dois criam fortes laços de amizade, tentando o palestino conciliar as obrigações com a sua família, com seu irmão e com o serviço prestado ao comando de Razi. Vivendo uma vida dupla, as coisas complicam-se quando os serviços secretos israelitas descobrem o envolvimento de Sanfur em práticas que contrariam o estado de Israel.
Finalmente, e do outro lado da barricada, a Palestina também opta por abordar o conflito local, desta vez através de Omar, um filme de Hany Abu Assad (Paradise Now) que venceu o prémio do júri da secção Um Certo Olhar no Festival de Cannes em 2013. Omar pode ser descrito como um thriller psicológico noir situado na Cisjordânia ocupada. Desde que o muro de separação dividiu a Cisjordânia, os amigos de infância Omar (Adam Bakri), Amjad (Samer Bisharat) e Tarek (Eyad Hourani) são forçados a ultrapassar essa barreira para estarem juntos. Omar tem um motivo adicional para se esquivar: ele está apaixonado por Nadia (Leem Lubany) e isso poderá colocar ambos em perigo.

