A figura mais fascinante da história política brasileira, o presidente Getúlio Vargas, morto em 1954, será o protagonista de uma coprodução entre Brasil e Portugal, cujas filmagens já estão a decorrer no Rio de Janeiro. Os Últimos Dias de Getúlio é um projeto do realizador João Jardim, que já o havia antecipado numa entrevista ao C7nema quando esteve na edição do Festin de 2012 – certame no qual recebeu uma menção honrosa por seu filme Amor?. Como o nome do projeto anuncia, trata-se dos derradeiros momentos do presidente que terminou seu segundo mandato cometendo suicídio.
A Midas é a empresa portuguesa participante na produção – a ser concretizada em parceria com a brasileira Copacabana. O ator Tony Ramos, conhecido das telenovelas, será o protagonista, num elenco que conta ainda com três atores lusos – Fernando Luís, José Raposo e Thiago Justino. Alexandre Borges e Drica Moraes completam o elenco principal. Este é o primeiro filme de ficção de Jardim, por trás de alguns documentários importantes, com destaque para Lixo Extraordinário, filme nomeado ao Oscar da categoria e premiado no Festival de Berlim de 2010. A pós-produção da obra será parcialmente feita em Portugal e a estreia está prevista para 2014.
Quem foi Getúlio Vargas?
Para os liberais da altura (e de hoje…) Getúlio Vargas era um ditador, adjetivo bem aplicado também na ótica dos comunistas, derrotados nas suas pretensões revolucionárias. Para o povo que parou o Brasil quando da sua morte, ficava-lhe bem o epíteto de “pai dos pobres“, com o qual era conhecido. Vargas chegou ao poder em 1930 através de um golpe de Estado. Todavia, embora algumas das suas práticas governamentais sejam claramente autoritárias, de forma alguma ele pode ser associado de forma simplista a outros exemplares típicos do género na época, como Mussolini, Franco ou Salazar.
Extremamente popular e criador de políticas efetivas de defesa das classes trabalhadoras, chegou ao poder pela segunda vez (depois de ter saído em 1945) em 1951 aclamado por uma esmagadora vitória eleitoral. Ao mesmo tempo, as forças que o derrubaram eram extremamente conservadores, vindo a concretizar uma efetiva ditadura militar em 1964, que governaria o país até aos anos 80.

