Poderíamos ter decidido fazer mais uma notícia sobre as estrelas de cinema, pois novidades não faltam – num ano que está a ser bastante activo na indústria do cinema.
Porém, desta vez optámos por falar do outro lado das estrelas: o espectador, o cinéfilo, aquele que faz com que todas as pessoas ligadas ao cinema tenham mais, ou menos sucesso. Neste caso específico, vamos falar um pouco de José Varregoso e da sua obra, à venda nas livrarias, “Eu, Hitchcockiano, Me Confesso”.
Foi num blog (http://varregoso.blogspot.com) que tudo começou, estávamos em 2005. Como o próprio nos explicou, o blog foi criado como forma de aplicar o seu gosto pela escrita ao universo da informática. “Sentia necessidade de escrever. E estava na época a descobrir – tardiamente devo dizer – o universo dos computadores. Procurei uma temática onde me sentisse confortável; que me trouxesse entusiasmo; que fosse inspiradora e também capaz de me oferecer desafios. Surgiu a ideia de escrever sobre Cinema – e muito em particular sobre o Cineasta do Suspense. Senti que o universo do Hitchcock era propício para muitos debates e reflexões. Senti-me identificado com o «blogger» que escreve por prazer, por amor aos filmes. Por isso, o blog se converteu num discurso um pouco confessional. Escrito com honestidade, acabou por revelar um pouco mais de mim do que inicialmente previra.”
Inicialmente, Varregoso não pensou sequer que a sua obra iria ser publicada em livro, admitindo mesmo que esse aspecto não o interessava particularmente. “Escrevi para o blog, revendo os conhecimentos que havia somado ao longo dos anos e num exercício de reflexão que – considerei eu – me poderia ajudar a desenvolver a minha capacidade de análise, a minha percepção dos filmes e de outros aspectos da Vida em geral. Escrevia metodicamente, com agrado. A ideia de editar o livro surgiu de uma oportunidade circunstancial. Revi os textos e apresentei-os placidamente a várias editoras.”
O livro viria a ser publicado oito dezenas de posts depois, e quatro anos passados. O ecrã transformou-se num livro. A sessão de lançamento da obra decorreu em Lisboa, no dia 21 de Novembro de 2010, na Livraria/Bar do Cinema King. No lançamento, e para além do autor, estiveram presentes Bruno Miguel, ilustrador, Gonçalo Martins, responsável editorial da Chiado Editora, e Lauro António, realizador, professor, historiador e crítico de Cinema, que visitava o Blog e encontrava frequentemente “apaixonadas declarações de amor ao cinema e a um cineasta em particular, Alfred Hitchcock”.
E o livro/blog é isso mesmo, uma fantástica viagem ao mundo de Alfred Hitchcock onde se debate, de um modo oportuno, transparente e muito pessoal, as temáticas que associados ao cineasta: o Suspense, o Medo e a Angústia, sempre através de uma leitura ligeira mas introspectiva, que usa um discurso simples e ao mesmo tempo profundo.
Questionado pelo c7nema se estava satisfeito com o resultado final, José Varregoso afirma positivamente, falando porém nas diferenças que se encontram entre os formatos. No livro há um capítulo novo de apoio à análise do Cinema do Alfred Hitchcock. Foi também incluída uma lista exaustiva dos trabalhos do cineasta para Cinema e Televisão. Também foi capaz de escolher, entre a obra do mestre do suspense, a fita que se destaca na sua cinematografia. “O filme do Hitchcock que em termos absolutos mais me agrada é o «Vertigo». Avaliando as diferentes variáveis que pesam na apreciação de um filme, é o Vertigo que melhor conjuga maestria cinematográfica, boa fotografia, uma história inteligente, uma banda sonora genial e um clima psicológico intenso. Gosto igualmente da «Janela Indiscreta» mas em termos absolutos parece-me menos absorvente.”
Já sobre os conselhos que poderia dar a todos os bloggers que ambicionam um dia ver os seus trabalhos publicados, Verragoso adianta que “quando se escreve num blog, é essencial retirar prazer da escrita ou do simples acto de divulgar uma ideia ou uma imagem. O blog é um mecanismo de comunicação. O blogger deve pensar no seu leitor. Não faz sentido publicar postagens que ninguém vai ler. O que sucede com textos longos – como os que escrevi neste blog sobre o Alfred Hitchcock – é que se podem tornar cansativos num écran de computador. É muito mais apelativo – pelo menos, na minha opinião – proceder à leitura de textos com muitos parágrafos em papel.
Quando se pensa em compilar os textos de um blog para a criação de um livro, parece-me importante que o todo final seja coerente e homogéneo. Isso pode implicar a eliminação de notas circunstanciais que não fazem depois sentido em livro. Quem escreve num blog, perspectivando uma possível edição em livro, pode precisar de construir uma antevisão desse livro: pensar que tipo de livro vai querer produzir; e desenvolver as postagens de acordo com um molde adequado.”
“Eu, Hitchcockiano, Me Confesso” pode ser encontrado nas livrarias. Nós recomendamos a todos, e em particular aos entusiastas de Alfred Hitchcock.
Jorge Pereira

