Segundo o jornal venezuelano El Universal, foram concluídas recentemente as filmagens de “Memória das Minhas Putas Tristes” (Memoria de mis putas tristes), uma adaptação ao cinema do livro de Gabriel García Márquez – já de si inspirado no romance “A Casa das Belas Adormecidas” de Yasunari Kawataba.
Esta notícia é de todo surpreendente, pois em Outubro o projecto teria sido – supostamente – suspenso devido à polémica criada por algumas associações que entendiam que o filme era apologista da prostituição infantil. A película, que era apoiada financeiramente pelo estado mexicano, perdia assim o seu mecenas, e todos pensavam que o projecto estava condenado.
Porém, e em declarações à imprensa, Fernando Cámara – um elemento do equipa do filme – revelou que os trabalhos do filme continuaram noutra localidade, sem nunca ser referido o nome da obra que estavam a filmar. Assim, e durante Novembro e Dezembro, o filme foi completo, estando agora na fase da pós-produção.
Nesta obra do vencedor do Prémio Nobel da literatura narra-se a história de um homem de noventa anos que no seu aniversário pretende presentear-se a si mesmo com uma noite de amor louco com uma adolescente virgem. Porém, ao vê-la dormir, ele não tem coragem de acordá-la e apaixona-se por uma bela adormecida. O romance mostra como o idoso teve sempre medo de amar, e que aos 90 anos descobre o verdadeiro prazer da vida.
Realizada pelo dinamarquês Henning Carlsen, especialista em filmar “às escondidas”, como os seus trabalhos sobre o Apartheid na África do Sul comprovaram no passado, “Memória das Minhas Putas Tristes” conta no elenco com o mexicano Emilio Echeverría e Geraldine Chaplin.
O argumento é de Jean Claude Carrière, colaborador frequente de Luis Buñuel.
Jorge Pereira

