Jean-Luc Godard ignora Oscar, nega ser anti-semita e fala do seu novo filme (que terá um cão falante)

(Fotos: Divulgação)

Os Oscars honorários já foram entregues no passado fim-de semana. Francis Ford Coppola recebeu o prémio de braços abertos, declarando o seu amor à tradição de Hollywood. Eli Wallach também esteve presente, e agradeceu à academia. Já o cineasta francês Jean-Luc Godard, autor de obras chave do cinema como ‘À bout de souffle’, ‘Alphaville’ e ‘Socialisme’ (que deve chegar a Portugal apenas em 2011), foi premiado mas não quis estar presente na cerimónia de entrega dos prémios.

O presidente da academia, Tom Sherak, subiu então ao palco para receber o Oscar, garantindo que o prémio era importante para o pai da Nouvelle Vague.

Porém, e em declarações à publicação NZZ (via The Playlist), Godart afasta-se desse agradecimento. Quando questionado sobre o que pensava do Oscar, Godart afirma que “Não pensava nada”, acrescentando que se a academia gostava de fazer aquelas coisas, então que faça. “Mas achei estranho e perguntei-me: Que filmes meus viram eles? Será que realmente conhecem os meus filmes? O prémio é apelidado de Prémio do Governador. Significa isto que foi Schwarzenegger a dar-me o prémio?”, concluiu.

Já quando interrogado pela razão porque não tinha ido aos EUA receber o prémio, o cineasta ainda foi mais corrosivo: “Não tinha visto para entrar nos EUA e não queria pedir um. E também não me apetecia voar tanto tempo”.

Muita gente achou que esta sua atitude estava ligada ao seu anti-semitismo, tantas vezes referido nas capas dos jornais, e tantas vezes negado pelo próprio. E claro que a questão surgiu na entrevista, repetindo Godard o que outrora já tinha afirmado, que é ridículo sequer afirmar que é anti-semita, porque todos os povos do mediterrâneo o eram. “A expressão só começou a ser usada pelos judeus após o holocausto. É uma expressão inexacta e que não significa nada”, adiantou, afirmando contudo que foi um bocado idiota quando era jovem – por não ter intervindo mais pelos judeus durante a 2ª Guerra Mundial.

Godard depois explica que os judeus dominam o cinema em Hollywood porque nos primórdios do cinema americano, estes estavam impedidos de ser banqueiros, médicos, professores ou advogados. Assim apostaram numa coisa nova que lhes permitisse acesso ao sistema financeiro americano. “Claro que chegaram rapidamente a acordos com a Máfia, mas se disseres isto, és imediatamente apelidado de anti-semita, mesmo quando não o és. É a História, vejam como nasceu a cidade de Las Vegas”.

Já numa entrevista ao jornal Suíço Die Sonntags Zeitung (via New Yorker), o cineasta adiantou detalhes sobre o seu novo filme, que terá animais falantes. “É uma obra sobre um homem e uma mulher que já não comunicam, que não falam a mesma língua. O cão que constantemente levam a passear, decide então intervir e falar”. Sobre como irá desenvolver o filme, o realizador afirmou não ter certezas, mas mostrou uma tendência para realizá-lo em 3D, pois como é um formato ainda novo, não existem regras. Outra das certezas do filme é que ele não quer ver o cão como os cães normais que aparecem no cinema. “Não o quero treinado como um cão do cinema”, afirmou, adiantando que provavelmente o seu próprio cão vai ser contratado para a obra.

No que toca a outros actores, e quando questionado pelo jornalista, Godard volta a usar o humor e diz que Humphrey Bogart e Ava Gardner seriam perfeitos, devolvendo para o jornalista a questão, de quem devia contratar. Quando este afirma Scarlett Johansson, Godard ri e diz… “não, não, isso é negócio”.

Vamos agora aguardar por mais detalhes do novo filme.

Jorge Pereira

Últimas