Cinema italiano em força no Festival de Karlovy Vary

(Fotos: Divulgação)

 

O cinema italiano continua em alta nos festivais de cinema internacionais e desta vez chega à República Checa, aproveitando o mediatismo e valor do Festival de Karlovy Vary, especialmente no leste da europa, para apresentar alguns dos  títulos mais sólidos e seguros do território.

«Terraferma», de Emiliano Crialese, «Diaz – Don’t Clean Up The Blood», de Daniel Vicari,  «Romanzo di una strage», de Marco Tullio Giordana, «Cesare deve morire», dos veteranos Paolo & Vittorio Taviani, e «Reality», de Matteo Garrone, são alguns dos filmes presentes no certame e que chegam à Republica Checa já com um palmarés de respeito.

O primeiro, que já passou pelos cinemas em Portugal, estreou no Festival de Veneza, tendo mesmo sido um dos premiados. Nele acompanhamos o drama da imigração clandestina, um problema que se acentuou com as recentes revoltas nos países no norte de África e que fez explodir a emigração para países como Itália. Esse fenómeno afeta em muito as famílias que habitam nesses locais de refugio e o filme centra-se nisso, e nas formas com que as pessoas se adaptam e tentam contrariar muitas fatalidades inerentes à nova ordem mundial.

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«Diaz – Don’t Clean Up This Blood» relata os infames eventos ocorridos na noite de 21 de julho de 2001 numa escola em Génova, cidade onde acabara de decorrer uma cimeira do G8.

Durante toda a cimeira houve inúmeros protestos e morreu mesmo um jovem (Carlo Giuliani) nas manifestações. É com essa base que Lucas, um repórter de um jornal de Bolonha decide viajar para Génova, onde o impensável vai acontecer. Na escola de Diaz encontra-se o “quartel general” do Fórum Social de Génova, cordenando muitos dos protestos mas servindo também de base para jornalistas e alguns protestantes que não têm onde passar a noite. Às 22 horas do dia 21 a policia inicia um verdadeiro assalto ao local, estimando-se que mais de 400 policias tiveram envolvidos nos eventos. A partir daqui assistimos a um verdadeiro atentado aos direitos humanos, onde a polícia invade o espaço onde se encontram 93 pessoas e sem olhar a meios espanca e detém a maioria dos presentes, jornalistas incluídos, como Luca – cuja publicação onde trabalha até é politicamente à direita.

«Diaz» passou pelo Festival de Berlim e tem emocionado audiências um pouco por todo o lado, tendo sido no Festival de Bari um dos momentos mais altos da sua exibição, quando foi aplaudido de pé durante mais de 10 minutos.

«Romanzo di una strage» acompanha um dos eventos mais marcantes da história de Itália: o massacre na Piazza Fontana, no Banca Nazionale dell’Agricoltura em Milão, em 1969, e foi apenas um dos actos terroristas ocorridos neste período, denominado como “Estratégia de Tensão”, que vitimou 17 pessoas e deixou feridas outras 88.

Muitos acusam as forças policiais secretas locais – com apoio da CIA – da autoria dos mesmos, de maneira a prevenir uma possível viragem à extrema-esquerda (comunismo) no país, e a obra centra-se na complexa investigação ao atentado e aos esforços executados pelo agente Luigi Calabresi, que tal como os seus superiores estavam inicialmente convencidos que tudo não passava de mais um ataque de anarcas, mas que posteriormente – e com as investigações – descobrem ligações mais profundas e complicadas de analisar.

Depois há «Cesare deve morire» (Caesar Must Die), vencedor do Festival de Berlim e considerado o melhor filme italiano da temporada nos Prémios David di Donatello, os mais importantes em Itália e destinados a distinguir a cinematografia local. Nesta obra, que deverá estrear em Portugal por alturas do Lisbon & Estoril Film Festival,  seguimos a encenação da peça Júlio César, de William Shakespeare, por reclusos de uma prisão de segurança máxima em Roma.

Finalmente, «Reality» – obra que deu o Grande Prémio em Cannes ao italiano Matteo Garrone (Gomorra) – segue um napolitano de origens humildes que adora dançar (de preferência para uma audiência) e que é dono de uma peixaria. Convencido pelos filhos, ele deixa-se ofuscar pela possibilidade da fama ao concorrer ao Big Brother – até entrar num delírio surrealista.

 

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