O procurador francês Jean-Michel Cailleau afirmou ao diário dinamarquês Politiken (via Cineuropa) que as acusações levantadas contra o cineasta Lars Von Trier devem ser retiradas, tendo o mesmo o próprio já contactado o Ministério da Justiça Francês sobre a questão e sugerido o encerramento do processo.
Relembramos que as acusações foram levantadas após o episódio «nazi» de Von Trier no Festival de Cannes este ano. Foi perante uma audiência de jornalistas, e com Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg ao lado, que o cineasta afirmou ser Nazi e até entender Hitler. E Von Trier foi mais longe e afirmou que durante muitos anos achou que era judeu e que gostava muito de o ser. Depois conheceu Susanne Bier (vencedora do Óscar de Melhor Filme estrangeiro na última cerimónia), também judia, e deixou de gostar. Posteriormente ele descobriu que era Nazi e que a sua família era alemã. «Isso deu-me algum prazer. Que dizer? Eu compreendo Hitler…e simpatizo com ele um pouco», adiantou. E antes de aprofundar sobre a temática, Von Trier frisou que não era contra os judeus, nem a favor da 2ª Guerra Mundial nem anti-Susanne Bier. «Na realidade sou a favor dos judeus, de todos eles. Bem, Israel é irritante».
Como consequência destas palavras, o dinamarquês foi considerado persona non grata no certame francês e chegou mesmo a ser interrogado pela polícia dinamarquesa desde então. A partir desse momento, Von Trier afastou-se de eventos onde poderiam estar membros da imprensa e recusou dar mais entrevistas.
Recorde-se ainda que em França é ilegal fazer qualquer tipo de afirmação que glorifique ou que apresente de forma favorável as acções do regime nazi, podendo ir a pena de prisão até cinco anos.
Jorge Pereira

