Selecionado para a semana da crítica, evento paralelo ao Festival de Cannes, «The Slut» é o segundo trabalho da israelita Hagar Ben Asher (que também participa no filme como actriz), e uma das obras presentes no certame que promete provocar alguma discussão, não fosse a temática a promiscuidade feminina ainda um tema «tabu» e o abuso sexual de menores um acto perpétuamente horrível.
Tamar tem a sua rotina. Um homem atrás do outros, uma masturbação, sexo oral, e por aí fora. Ela é também a mãe duas crianças, Mika e Noa, mas já não procura a redenção, pelo menos até à chegada de Shai, um homem que regressa aquela localidade para tratar da propriedade da mãe, recentemente falecida. Shai não conhece o comportamento de Tamar, mas rapidamente percebe os factos. Ele não quer saber disso, pois crê que a pode salvar. E apaixonam-se e Tamar muda a sua maneira de ser.
Todos estão muito cépticos com a «purificação» do comportamento da mulher, mas o verdadeiro problema está na nova rotina da mulher que lhe dá uma sensação de vazio espiritual. Eventualmente ela regressa à sua velha vida, alienando-se da vida familiar e passando todas as responsabilidades para Shai. Para complicar, Mika apaixona-se por ele. Noa cai no isolamento. A repressão sexual de Shai e a maior aproximação ás crianças leva a um acto absurdo de abuso sexual. As coisas ganham proporções inimagináveis, mas todos terão de curar as suas feridas para assim ficarem em paz com tudo o que os rodeiam.
Jorge Pereira

