Brasil: “Ben-Hur” de 1959 regressa restaurado em 4k

(Fotos: Divulgação)

Em sintonia com os festejos cristãos da Páscoa, uma versão restaurada em 4K de Ben-Hur (1959) começa a circular pelo mundo neste feriado, com a escolha do Brasil – o maior país católico de que se tem notícia – como eixo do seu lançamento global. O clássico protagonizado por Charlton Heston (1923-2008) vai mobilizar diferentes salas do circuito brasileiro com as suas 3h32 de duração. A realização de William Wyler (1902-1981) — que cobrou 350 mil dólares pelo serviço, mais uma taxa de 3% do lucro líquido das bilheteiras — é objeto de estudo em universidades de Cinema até hoje. O êxito comercial da longa-metragem na venda de bilhetes rondou os 146,9 milhões de dólares.

O romance Ben-Hur: A Tale of the Christ (1880), escrito pelo oficial militar Lew Wallace (1827-1905), foi a base do projeto, cujo argumento nasceu das mãos de Karl Tunberg (1907-1992), com contributos de Maxwell Anderson, S. N. Behrman, Christopher Fry e Gore Vidal. Este polémico escritor (1925-2012) injetou na narrativa a comentada aura homoerótica que envolve a personagem do vilão Messala, interpretada por Stephen Boyd (1931-1977), apesar de Heston ter refutado essa leitura. A obra de Wallace foi filmada anteriormente em 1907 e em 1925, numa produção que contou com Wyler como assistente. Uma nova adaptação surgiu em 2016, realizada por Timur Bekmambetov, com Jack Huston, Morgan Freeman e Rodrigo Santoro no papel de Jesus.

Até Titanic (1997) estrear, Ben-Hur manteve durante 38 anos o recorde de onze Óscares. Venceu nas categorias de Melhor Filme, Realização, Actor (Heston), Actor Secundário (Hugh Griffith), Fotografia (Robert Surtees), Direção Artística (William A. Horning, Edward C. Carfagno e Hugh Hunt), Figurinos (Elizabeth Haffenden), Som (Franklin Milton), Montagem (Ralph E. Winters e John D. Dunning), Efeitos Especiais (A. Arnold Gillespie, R. A. MacDonald e Milo B. Lory) e Banda Sonora (Miklós Rózsa).

Ambientado em Jerusalém, no início do século I, o épico acompanha a jornada do calvário à redenção da personagem Judah Ben-Hur (Heston), um rico mercador judeu cuja vida muda após o reencontro com Messala (Boyd), agora comandante das legiões romanas. Perante a recusa em denunciar rebeldes, Ben-Hur cai em desgraça: é acusado de traição, escravizado e enviado para as galés. A mãe e a irmã são presas e confinadas num leprosário. Após salvar um importante estadista, tem a oportunidade de mudar o seu destino, mas opta pela vingança.

As filmagens começaram em maio de 1958 e terminaram em janeiro do ano seguinte, seguidas de uma pós-produção de seis meses. O orçamento inicial de 7 milhões de dólares subiu para cerca de 16 milhões, tornando-se o filme mais caro da época. Foram usados cerca de 200 camelos, 2,5 mil cavalos e dez mil figurantes, com filmagens em Itália e nos Estados Unidos. A batalha marítima foi recriada com miniaturas num tanque nos estúdios da MGM, em Culver City.

Uma alteração relevante envolveu os créditos iniciais: Wyler conseguiu autorização para que o leão Leo, símbolo da MGM, surgisse em silêncio, evitando quebrar o tom da cena do nascimento de Jesus. Antes de Heston aceitar o papel, Paul Newman chegou a ser considerado para a personagem principal, mas recusou.

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