James Cameron: “John Carpenter foi um modelo para mim”

(Fotos: Divulgação)

Numa masterclass organizada pelo Museu Nacional de Cinema de Turim, o realizador James Cameron afirmou que John Carpenter foi uma das principais inspirações para a sua carreira, dizendo mesmo que o responsável por filmes como “Halloween” e “The Fog” e “The Thing” foi “um modelo para si“. “Veio do nada e fez tanto com tão pouco”, disse o realizador das sagas Terminator (Exterminador Implacável) e Avatar, que devido a estar a ultimar a produção de “Avatar 3” não pôde marcar presença na cidade italiana como estava programado para 9 e 10 de junho. “Sonhei um dia ser como ele. John Carpenter é, nos tempos que correm, o que Roger Corman foi. Ambos foram uma formação incrível para mim”.

Cameron, que colaborou com Corman em muitas das suas produções, antes de se lançar como realizador com “Terminator” em 1984, explicou ainda como estas duas figuras e em particular Carpenter o influenciou para esta saga. “A ideia parte de uma figura robótica que persegue uma mulher com uma faca. E persegue-a centímetro a centímetro com ele”, disse o cineasta. “É uma máquina, mas é um esqueleto que podia ser de um corpo humano. Daí fui para um inimigo robotizado que se assemelha a um corpo humano, infiltra-se e persegue um ser humano. Tive duas imagens na mente para esse inimigo: uma veio de um sonho, de um esqueleto cromático que saía das chamas. Quando comecei a desenhar essa imagem, não tinha dinheiro algum para fazer um filme. Desenhei ainda outra imagem com o elemento robotizado com uma faca, que não se vê na história, mas essa ideia usei na sequência final, na fábrica, usando simplesmente as mãos”.

Desenhar as suas ideias faz sempre parte do processo criativo de Cameron, que explicou ainda que em “Titanic” foram os seus desenhos, em particular de Rose (Kate Winslet), que surgiram em cena. “O Leonardo não sabia desenhar, por isso fiz eu os desenhos, incluindo o da Rose. Fiz isso em poucos dias. Fiz um photoshoot com a Kate Winslet, que não estava, naturalmente, nua. Usei a imaginação com aquilo que não podia ver. O grande problema é que, quando desenhei, usei a mão esquerda e o Leo usa a direita. Como não conseguia desenhar com a direita, a minha mão esquerda está no filme em vez da mão direita do Leonardo. Claro que isso trazia problemas, como no movimento em arco, e por isso usámos movimentos muito limitados que omitem isso. Por isso ‘ele traça as linhas’, mas não mexe os ombros”.

Citando filmes como “Mysterious Island” (1961) ou “The 7th Voyage of Sinbad” (1958) como aqueles que na sua infância despertaram a sua atenção para a magia do cinema e o fizeram levar a querer fazer filmes, Cameron não esqueceu Kubrick e “2001 – Odisseia no Espaço“, que instigou nele o desejo de aprender a fazer coisas como as que viu no filme. “Era magia pura“, disse Cameron, que noutra questão desfez-se em elogios ao uso da tecnologia Performance Capture, um processo em que os movimentos, expressões e voz de um ator são gravados para animar personagens digitais, como se vê em Avatar. Cameron disse que essa tecnologia lhe permite focar-se, como realizador e argumentista, no ator sem ter de pensar na iluminação, no céu e outros elementos que o faziam pensar imensamente. “É um processo excepcional”, disparou.

O realizador de filmes como “Aliens“, “The Abyss” e “True Lies” respondeu ainda a algumas perguntas do público que se juntou no cinema Massimo em Turim para assistir por Zoom à masterclass, transmitida em direto de Wellington, na Nova Zelândia, sob a condução de Carlo Chatrian, diretor do Museu e anfitrião da sessão. Nessas questões, o realizador afirmou aos jovens estudantes presentes na sala que estes nunca devem escrever e trabalhar numa história a pensar nos “likes e partilhas” que eventualmente poderão ter, aconselhando-os a “terem confiança” e pensarem sempre “em grande”.

Recorde-se que James Cameron vai lançar ainda este ano “Avatar 3”. Com planos para lançar o quarto capítulo da saga em 2029 e o quinto filme em 2031, o realizador terá como projeto posterior uma obra sobre Tsutomu Yamaguchi, um japonês que sobreviveu a dois ataques com bombas atómicas: Hiroshima e Nagasaki, em 1945. Em agosto de 2025 será publicado um novo livro de não-ficção intitulado “Fantasmas de Hiroshima“, que descreve a sua história com mais detalhes, os quais servirão de base para o filme planeado por Cameron.

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