Arrancou ontem, 16 de setembro, na Cinemateca Portuguesa o ciclo dedicado à Monique Rutler, cineasta franco-portuguesa que além de ter tido aulas num dos primeiros cursos de cinema em Portugal, no início dos anos 1970, realizou e montou um vasto conjunto obras, entre curtas, longas, documentários e ficções.
Emocionada, a cineasta nascida na Alsácia, em 1941, mas que veio viver para Portugal em criança, marcou presença nesta sessão na Cinemateca, que foi complementada com a exibição de três trechos do programa televisivo Cinemagazine, onde se falava da longa-metragem que assinou em 1990, “Solo de Violino”, também exibido durante a sessão.

Nesses trechos, Monique explicava um pouco do projeto sobre a história verídica de Adelaide Coelho da Cunha, a dona do Diário de Notícias que o marido tentou aprisionar num manicómio (com o apoio de grandes personalidades médicas da época, como Egas Moniz e Júlio de Matos) para esconder o facto dela se ter apaixonado pelo antigo chauffeur.
Lamentando a “produção pobrezinha” e alguns constrangimentos que teve com alguns atores durantes as filmagens, Rutler, ainda assim, entregou uma obra que foi descrita por Paulo Rocha como um “poderoso melodrama populista” onde Monique Rutler “quebra distraidamente a loiça da família lusa, sem cuidar de bom gosto e de bom senso.” Já Natália Correia viu no filme a “osmose do feminismo e do romantismo”.
O ciclo “Monique Rutler – Isto vai Mudar!”, que inclui igualmente um conjunto de obras de outros autores selecionadas pela realizadora, a partir de uma carta branca oferecida pela Cinemateca, prossegue hoje com a exibição de “O Aborto não é um Crime”, parte da série Nome Mulher, com autoria das jornalistas Maria Antónia Palla e Antónia de Sousa, e “Nascer: A Grande Agressão”, de Rutler.
A acompanhar o ciclo, a Cinemateca lançou o catálogo Monique Rutler – “Isto Vai Mudar!, onde “se propõe uma reavaliação da obra da realizadora através de ensaios originais e novas entrevistas (Ana Isabel Soares, Ricardo Vieira Lisboa, Maria Antónia Palla), da republicação de textos preexistentes (Natália Correia, Maria Teresa Horta, Luís Miguel Oliveira, Maria João Madeira, entre outros), da publicação de textos inéditos (Paulo Rocha, David Mourão-Ferreira e vários ensaios da própria Monique Rutler) e de um vasto número de testemunhos de diversos colaboradores (São José Lapa, André Gago, Mário Barroso, Luís Cília, Fernando e João Matos Silva, José Nascimento, Philippe Constantini, Filipe La Féria, Castro Guedes)”.

