A obra do cineasta Terence Davies (1945-2023) será objeto de uma retrospetiva integral na Cinemateca Portuguesa, na primeira quinzena de setembro.
Intitulado Terence Davies, o Cantor da Memória, o programa organizado pela Cinemateca irá exibir, além de toda a filmografia do realizador, dois títulos extra: o filme póstumo, finalizado pelo seu assistente, “Home! Home!“, e aquele que afirmou ser o seu filme favorito, “Young at Heart“.
Nascido em Liverpool em 1945, Terence Davies evocou frequentemente no seu cinema a sua educação pobre e muitas vezes brutal na classe trabalhadora. As suas curtas-metragens (Children, 1976; Madonna and Child, 1980; Death and Transfiguration, 1983), que ficaram conhecidas como a Trilogia de Terence Davies, seguem uma personagem, Robert Tucker, desde o recreio da escola até à sepultura. Esta trilogia seria a sua única obra com um cenário contemporâneo e Robert foi também a personagem principal do romance que Davies escreveu, “Hallelujah Now” (1984).
Construído a partir de dois filmes, filmados com dois anos de intervalo, “Distant Voices, Still Lives” (1988) foi a sua primeira longa-metragem, onde reimaginava a sua infância dos anos 50, mostrando uma família aterrorizada, tal como a sua, pelo patriarca, interpretado por Pete Postlethwaite.
Memória, melancolia, e História são eixos centrais da sua cinematografia, que ofereceu ainda títulos como “The Long Day Closes” (1992), que apresentava uma personagem central baseada em Davies e abordava os anos mais felizes da sua infância, bem como o seu amor arrebatador pelo cinema. Será este o filme a abrir, no dia 2 de setembro, o programa que a Cinemateca lhe dedica.

