
O governo chinês quer que o país se torne numa grande potência cinematográfica ao nível dos EUA até 2035. As palavras foram proferidas por Wang Xiaohui, vice-diretor executivo do Departamento Central de Propaganda e líder do Instituto de Cinema Chinês, num simpósio que reune cineastas, exibidores, produtores e várias outras figuras ligadas à 7ª arte,
O objetivo a médio prazo é conseguir a produção de 100 filmes por ano que façam pelo menos 100 milhões de Yuan (13 milhões de euros) nas bilheteiras. Um dos grandes problemas para Wang é a pouca influência que o cinema chinês ainda tem em todo o mundo. A título de exemplo, os filmes norte-americanos arrecadaram cerca de 2,8 bilhões de dólares no mercado chinês, mas os filmes chineses fizeram apenas poucas dezenas de milhões nos EUA. Outro problema para ele é a qualidade do próprio cinema chinês, ainda abaixo dos produtos de Hollywood e Bollywood.

Nos objetivos do governo chinês estão também os enredos das obras produzidas, que devem ser “sobre tópicos realistas”, “gerar impacto social e lucros financeiros” e ter “temas patrióticas”, sem “desafiar o sistema político“, diz o Diário Popular Chinês (Via Variety). É também necessário uma reformulação da ética de quem trabalha na indústria do cinema, evitando alguns escândalos recentes que minaram a estreia de filmes no território.
Um exemplo disso foi o caso de evasão fiscal de Fan Bingbing, mas não só. Mais recentemente, a comédia romântica A Boyfriend for My Girlfriend viu a sua estreia cancelada devido a um escândalo envolvendo o ator principal e uma amante. Devido a estes casos, a China criou um comité de ética para o Cinema, semelhante ao criado para a indústria de jogos no ano passado.
Em 2018, um total de 1082 filmes foram produzidos na China, representando um aumento de 20% em relação ao ano anterior. As receitas de bilheteria da China aumentaram e atingiram cerca de 61 bilhões de yuans (8 mil milhões de euros), dos quais 62,2% foram produzidos nacionalmente.

