
Bohemian Rhapsody vai ser lançado no mês que vem na China, mas já criou polémica devido à censura de um canal chinês ao discurso de Rami Malek após ganhar o Oscar de Melhor Ator.
Ao aceitar o prémio, Malek afirmou: “Fizemos um filme sobre um homossexual, um imigrante, que viveu a sua vida sem pedir desculpas a ninguém e o facto de estarmos a celebrar a sua história aqui hoje, é prova de que queremos mais histórias como esta“. Diz a Indiewire que a Mango TV, um dos canais mais populares da China e uma das duas únicas redes que transmitiram a entrega dos prémios no país, censuraram o discurso de Malek, removendo a palavra “homossexual” e substituindo pelo termo “grupo especial“. Consta que a decisão levou a uma forte reacção dos chineses na rede social Weibo. Capturas das imagens com legendas foram divulgadas e muitos já dizem que os Oscars não serão mais transmitidos nesta estação no futuro.
Há muito que este canal está sinalizado por encarar temáticas LGBTQ de forma conservadora. De acordo com a Variety, no ano passado, a estação foi criticada durante a transmissão do Festival da Canção por esbater/borrar as bandeiras do arco-íris digitalmente.
Quanto ao lançamento de Bohemian Rhapsody na China, no mês que vem, são naturalmente de esperar cortes ao filme. A título de exemplo, Alien Covenant, de Ridley Scott, foi lançado no país sem o beijo entre Michael Fassbender e ele próprio, e Cloud Atlas viu removidas todas as cenas envolvendo casais heterossexuais e homossexuais. Sem estreia nas salas de cinemas encontramos obras como Brokeback Mountain, o filme sul coreano King and the Clown (devido a “temas gays subtis” e linguagem sexualmente explícita), e Spring Fever, do chinês Lou Ye, que tinha passado no Festival de Cannes.

