Trinta e oito anos depois de viver uma noite de pesadelo em “After Hours”, o ator Griffin Dunne, que na última década é mais visto na televisão que no cinema, entrega uma interpretação repleta de maturidade em “Ex-Husbands”, uma pequena comédia dramática que aborda um tema raramente visto na 7ª Arte na sua forma masculina, ou seja, a fragilidade e incapacidade de três gerações de homens em manter as suas relações amorosas. São três personagens e abordagens que conduzem a uma espécie de noção de legado, o qual revela como más decisões e indecisões acabam por os afundar numa depressiva solidão.
Depois da arrogância do mais velho de todos (Richard Benjamin), que se separa da esposa e espera viver rodeado de mulheres até aos 110 anos, à dor sentida por Peter (Dunne), um dentista nova-iorquino, pelo afastamento da companheira (Rosanna Arquette, também vista em “After Hours”), chega a vez dos dois filhos se entregarem à dor da perda e rejeição, cada um deles com os seus próprios dilemas. Mas apesar da ligação ao fracasso emocional entre as três gerações, todos eles são representados de forma ímpar e têm gímnicas de contacto com os seus pares, minando as relações de forma singular.
Nesta amálgama de abatimento psicológico no masculino, talvez as personagens mais espessas e com maior textura sejam as dos filhos: Nick (James Norton), um homem com trinta e cinco anos, a trabalhar num restaurante e entregue à depressão; e Mickey (Miles Heizer), o mais jovem e organizado, que tem de lidar com uma “saída do armário” tardia, a qual atrasou a sua desenvoltura emocional.
Com vista a celebrar uma despedida de solteiro que nunca irá acontecer, todos (com exceção do mais velho, já entregue a uma doença degenerativa num lar), partem para um resort mexicano. No caso de Peter Pearce (Dunne), a sua presença é não oficial, já que encomendou a viagem sem saber que ia se cruzar com a despedida de solteiro do filho. Incapaz de cancelar a viagem, sem perder dinheiro com isso, Peter parte para o México, dando de caras no avião com os filhos.
O que se poderia transformar facilmente num “The Hangover” nas praias mexicana, rapidamente deixa o espectador bem ciente que este é um filme bem diferente. A verdade é que no meio de celebrações e depressões, os três, pai e dois filhos, acabam por expurgar os seus pecados e problemas, ainda que o realizador Noah Pritzker (“Quitters“) nunca sequer dê uma sinal de resolução dos seus dramas e solidão.
Na verdade, esta fórmula de lidar com o fim de relações em lugares paradisíacos sempre foi muito conectado com o universo das comédias e dramas no feminino, ou então transformadas em comédias de sexo, drogas e rock ‘n’ roll quando o centro são os homens. Pritzker tem noção disso e mostra uma masculinidade fragilizada sem necessidade (ou capacidade) de o esconder. E só por isso, “Ex-Husbands” tem a suave marca de lufada de ar fresco, ainda que nunca seja profundo ou poético na sua mirada geracional aos falhanços do amor.


















