Depois de terem ganhado o Grande Prémio em Sundance em 2008, Carl Deal e Tia Lessin voltam este ano com “Citizen Koch”, um documentário sobre a influência política do grande capital. Centrando-se na ação dos irmãos Koch, herdeiros da segunda maior empresa privada nos Estados Unidos, e nas eleições de junho do ano passado para governador do Winsconsin, os realizadores vão mostrando o que se está a passar na sociedade e na política Norte Americana. Essas eleições, onde o atual governador republicano, Scott Walker foi reeleito, são exemplares, pela negativa, de como o processo político foi apropriado pelos interesses ideológicos de poucos com o dinheiro para o fazer.
Tudo começou em fevereiro de 2011, quando Scott Walker, recentemente eleito como governador, apresentou uma proposta destinada a atacar o poder dos Sindicatos, pretendendo retirar-lhes a capacidade de negociar colectivamente pelos seus constituintes, deixando de fora a polícia e os bombeiros por motivos de “segurança pública”. A resposta fez-se sentir com vários dias de protestos e ações políticas e judiciais que acabaram por fazer com que o lugar de Walker fosse posto em causa e que novas eleições fossem marcadas para junho de 2012. Estava estabelecido o cenário para a prova de uma nova forma de financiamento de partidos .
Em julho de 2010, o Supremo Tribunal criou uma nova estrutura de financiamento político, sem restrições nas quantias angariadas e gastas, mas que não podem ter vínculos oficiais com os candidatos que apoiam ou financiá-los de forma alguma: as SuperPAC (Comissões de Acção Política). A ação destas comissões acaba por estar mais relacionada com a publicidade e o contacto directo com o eleitorado tentando manipulá-lo a votar no seu candidato. Desde que foram criadas, estas comissões foram muito polémicas e revelaram-se nocivas para o processo democrático: como um lobbying massivo destinado a assegurar o privilégio de muito poucos e uma forma de seleccionar e pressionar os agentes políticos que promulgam políticas nesse sentido.
Os irmão Koch, como não poderia deixar de ser, estão por detrás de uma dessas SuperPAC, com o hilariante, se não fosse tão perigoso e prejudicial, nome: “Americans for Prosperity” (Americanos para a Prosperidade). Segundo a revista “Mother Jones”, os Koch foram, através da SuperPAC, o segundo maior donatário da campanha de Scott Walker em 2010 e, segundo o “New York Times”, fizeram lobby junto deste para que apresentasse a proposta que pôs em causa os sindicatos.
Centrando-se em três funcionários públicos republicanos do estado de Winsconsin, o filme tenta documentar o desafio que estes sentem em relação à eleição de 2010, no mesmo momento em que são criadas as SuperPAC, os seus sindicatos estão a ser atacados e o movimento conservador Tea Party chega a essa região. Os realizadores já afirmaram em várias entrevistas que não querem explorar a dicotomia Republicano/Democrata, mas a verdadeira que opõe os mais ricos a todo o resto da população. As poucas críticas que saíram referem as boas intenções e a posição forte que o filme assume, mas criticam a pouca clareza sobre alguns pontos.
Com personagens tão polémicas e poderosas que têm um site que se dedica apenas a combater qualquer acusação feita contra eles, com os defeitos que as críticas lhe apontam, bem como o facto de Obama ter ganhado as eleições há pouco tempo, o que, aparentemente, tira alguma força aos argumentos apresentados, será que este filme chegará a ter distribuição comercial, ou até, será que chega cá a Portugal, mesmo no circuito dos festivais?
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