Foram ontem divulgadas as obras que vão estar em competição no próximo Festival de Sundance, a decorrer de 17 a 27 de janeiro no Utah, EUA, e pode-se dizer que os primeiros nomes lançados à imprensa são bastante fortes e que esta edição do festival tem uma grande presença no feminino.
Drama (Competição Americana)
Logo à partida há que falar de Upstream Color, o segundo filme de Shane Carruth – o responsável pelo surpreendente «Primer» em 2004, e que ajudou Rian Johnson em «Looper». Depois há ainda o mais recente filme de Kyle Patrick Alvarez, ele que há dois anos ganhou o Castelo de Prata do FEST Espinho por «Easier with Pratice» e que na altura nos confidenciou que «C.O.G.» era um projeto de sonho baseado numa história de David Sedaris. Aliás, esta foi das primeiras vezes que o autor autorizou que alguém adaptasse um trabalho seu ao cinema, neste caso uma curta história sua .
«C.O.G.»
Lynn Shelton, que este ano esteve no certame com «Your Sister Sister’s» (que estreia comercialmente no final de dezembro em Portugal) foi também selecionada para a competição, desta feita com «Touchy Feely», obra protagonizada por Rosemarie DeWitt e que acompanha uma massagista terapêutica que vê a sua vida complicar-se quando começa a sentir aversão ao contacto.
Ainda na competição, há que falar de «Emanuel and the Truth About Fishes», de Francesca Gregorini, obra protagonizada por Kaya Scodelario, Jessica Biel e Alfred Molina sobre uma jovem que começa a ficar preocupada com a sua nova vizinha, que estranhamente tem demasiadas parecenças com a sua falecida mãe.
Dois pesos pesados na competição são «Kill Your Darlings» e «Ain’t Them Bodies Saints». O primeiro é um thriller que conta a história de como um assassinato na Universidade de Columbia em 1944 conseguiu juntar alguns jovens escritores que iriam desencadear a chamada geração Beat. No filme temos Jack Huston (como Jack Kerouac), Daniel Radcliffe (como Allen Ginsberg), Dane DeHaan (como Lucien Carr, um colega de Ginsberg), Ben Foster (como William Burroughs), Elizabeth Olsen (como Edie Parker), Michael C. Hall, Kyra Sedgwick e Jennifer Jason Leigh.
«Ain’t Them Bodies Saints»
Já «Ain’t Them Bodies Saints» junta no elenco nomes como Rooney Mara, Casey Affleck, Nate Parker, Keith Carradine e mais uma vez Ben Foster. Assinado por David Lowery, na obra seguimos um fora da lei que escapa da prisão e parte numa fuga em busca de reencontrar a mulher e a filha que nunca conheceu.
Finalmente, não podíamos nos esquecer de «Austenland», um filme de Jerusha Hess que tem como curiosidade o facto de ser produzido por Stephenie Meyer (sim, a escritora de «Twilight»)
Lista de obras nesta secção:
Afternoon Delight, de Jill Soloway
Ain’t Them Bodies Saints, de David Lowery
Austenland, de Jerusha Hess
C.O.G, de Kyle Patrick Alvarez
Concussion, de Stacie Passon
Emanuel and the Truth About Fishes, de Francesca Gregorini
Fruitvale, de Ryan Coogler
In a World…, de Lake Bell
Kill Your Darlings, de John Krokidas
The Lifeguard, de Liz W. Garcia
May in the Summer, de Cherien Dabis
Mother of George, de Andrew Dosunmu
The Spectacular Now, James Ponsoldt
Touchy Feely, de Lynn Shelton
Toy’s House, de Jordan Vogt-Roberts
Upstream Color, Shane Carruth
Drama (Competição Mundial)
No que toca a cinema mundial, há diversas obras que merecem destaque. Começando por «Circles», a terceira longa metragem de Srdan Golubovic, realizador de «The Trap» e produtor de filmes como o polémico «Klip». Aqui o cineasta conta a história de cinco pessoas afetadas por um ato heróico e que vinte anos depois terão de voltar a lidar com o passado.
Outra obra a realçar é «El Futuro» (The Future), adaptação ao cinema do livro de Roberto Bolaño “Una Novelita Lumpen» – que tem a assinatura da chilena Alicia Scherson, realizadora de «Turistas» (2009) e de «Play», vencedor do IndieLisboa em 2005. Com Manuela Martelli, Nicolas Vaporidis, Luigi Ciardo e Rutger Hauer, no filme acompanhamos dois jovens chilenos que ficam órfãos depois de os seus pais exilados morrerem num acidente de viação em Itália. Tentando sobreviver nas ruas, Bianca (Martelli) Tómas (Ciardo) rapidamente caiem na prostituição e nos pequenos roubos. Porém, tudo isto é contado a partir do futuro por uma narradora que relembra as suas experiências.
«El Futuro»
Curiosamente, esta não é a única obra chilena em prova. Sebastián Silva – que em 2009 foi nomeado para os Globos de Ouro pela sua película «The Maid» – leva até Sundance «Crystal Fairy», um filme protagonizado por Michael Cera, Gabby Hoffmann, Juan Andrés Silva, José Miguel Silva e Agustín Silva e que acompanha uma road trip até ao deserto chileno sempre “regada” com muita mescalina e um ambiente psicadélico. (como Cera parece mostrar em baixo)
«Crystal Fairy»
Finalmente, uma nota ainda para «Wajma (An Afghan Love Story)», o mais recente filme de Barmak Akram (realizador de «L’Enfant de Kaboul»), «Houston», de Bastian Günther e «Jiseul», de Muel O.
Lista de obras nesta secção:
Circles, de Srdan Golubovic
Crystal Fairy, de Sebastián Silva
The Future, de Alicia Scherson
Houston, de Bastian Günther
Jiseul, Muel O
Lasting, Jacek Borcuch
Metro Manila, de Sean Ellis
Shopping, de Mark Albiston, Louis Sutherland
Soldate Jeannette, de Daniel Hoesl
There Will Come a Day, de Giorgio Diritti
Wajma (An Afghan Love Story), de Barmak Akram
What They Don’t Talk About When They Talk About Love, de Mouly Surya
Documentários (Competição EUA)
«Inequality for All»
Na secção documentários, e apesar de à partida não surgirem grandes nomes, há demasiadas temáticas importantes que certamente apresentarão uma nova fornada de cineastas de valor. Pela contemporaneidade, realce para «99% – The Occupy Wall Street Collaborative Film», um filme colectivo sobre a forma como o movimento Occupy Wall Street surgiu e porquê. Com um toque social e económico há também «Inequality for All», trabalho de Jacob Kornbluth que destila as desigualdades de rendimentos e como isso afeta a economia e a democracia. Questões ambientais (Blackfish), militares (Manhunt), religiosas (God Loves Uganda) e impactos sociais da vida criminal (Narco Cultura), são apenas alguns dos outros temas abordados.
Lista de obras nesta secção:
99% – The Occupy Wall Street Collaborative Film, de Audrey Ewell, Aaron Aites, Lucian Read, Nina Kristic
After Tiller, de Martha Shane, Lana Wilson
American Promise, de Joe Brewster, Michèle Stephenson
Blackfish, de Gabriela Cowperthwaite
Blood Brother, de Steve Hoover
Citizen Koch, de Carl Deal, Tia Lessin
Cutie and the Boxer, de Zachary Heinzerling
Dirty Wars, de Richard Rowley
Gideon’s Army, de Dawn Porter
God Loves Uganda, de Roger Ross Williams
The Good Life, de Sean Fine, Andrea Nix Fine
Inequality for All, de Jacob Kornbluth
Manhunt, de Greg Barker
Narco Cultura, de Shaul Schwarz
Twenty Feet From Stardom, de Morgan Neville
Valentine Road, de Marta Cunningham
Documentários (Competição Mundial)
Se na Europa os Festivais acumulam obras sobre a austeridade e os protestos nas ruas, Sundance ignora por completo a temática e prefere obras seguras e até mesmo populares no mundo indie e nas páginas dos jornais americanos. Veja-se o caso de «Pussy Riot – A Punk Prayer», documentário sobre o novo símbolo da luta interna e (também) externa contra o governo de Vladimir Putin.
«Pussy Riot – A Punk Prayer»
Por outro lado, este certame adora sempre lançar umas farpas nas grande companhias, e as farmacêuticas vão ser foco de crítica, pela forma como detiveram alguns medicamentos de baixo custo de chegarem a África, em «Fire in the Blood», enquanto o copyright e o plano do Google em digitalizar livros mundiais estarão em foco em «Google and the World Brain»
Lista de obras nesta secção:
Fallen City, de Qi Zhao
Fire in the Blood, de Dylan Mohan Gray
Google and the World Brain, de Ben Lewis
The Machine Which Makes Everything Disappear, de Tinatin Gurchiani
The Moo Man, de Andy Heathcote, Heike Bachelier
Pussy Riot – A Punk Prayer, Mike Lerner, Maxim Pozdorovkin
A River Changes Course, Kalyanee Mam
Salma, de Kim Longinotto
The Square (El Midan), de Jehane Noujaim
The Stuart Hall Project, de John Akomfrah
The Summit, de Nick Ryan
Who is Dayani Cristal?, de Marc Silver
NEXT <=>
Na secção NEXT, há um nome que salta logo à vista. Andrew Bujalski está de volta depois do bem sucedido «Funny Ha Ha». Desta vez o chamado «padrinho do mumblecore» apresenta «Computer Chess», uma comédia existencial sobre dois homens que ensinam máquinas a jogar xadrez, mas no tempo em que as máquinas eram trapalhonas e o ser humano era considerado muito superior.
Lista de obras nesta secção:
Blue Caprice, de Alexandre Moors
Computer Chess, de Andrew Bujalski
Escape from Tomorrow, Randy Moore
I Used to Be Darker, de Matthew Porterfield
It Felt Like Love, Eliza Hittman
Milkshake, de David Andalman
Newlyweeds, de Shaka King
Pit Stop, de Yen Tan
A Teacher, de Hannah Fidell
This is Martin Bonner, de Chad Hartigan

