Em 2008 começaram por incendiar Cannes com o drama adolescente de Antonio Campos, «Afterschool» e o ano passado tomaram Sundance com o fascinante «Martha Marcy May Marlene», de Sean Durkin. O coletivo da Borderline Films, que inclui ainda o produtor Josh Mond, regressou de novo a Park City com o mais recente trabalho de Campos, «Simon Killer». Segue-se Karlovy Vary, na República Checa, no próximo mês de junho. Pelo programa que se descreve, trata-se de uma iniciativa original condenada ao sucesso.
O programador do KVIFF, Karel Och, mostrou-se orgulhoso por “poder mostrar o trabalho destes verdadeiros autores”. O trio mostrou igual entusiasmo em “mostrar o seu trabalho de dez anos a uma nova audiência”.
Sim, o festival de Karlovy Vary já mexe! Apesar da 48ª edição do festival decorrer apenas de 28 de junho a 6 de julho, o festival acaba de anunciar um trunfo importante. Confirma-se a primeira retrospetiva exclusiva dos filmes da produtora novaiorquina Borderline Films, uma companhia independente formada pelo coletivo Antonio Campos, Sean Durkin e Josh Mond, que produzem e realizam os filmes uns dos outros, e de onde têm saído alguns dos mais inovadores exemplos da nova vaga do cinema americano realmente indie.
Sob o tema Borderline Films: The First Ten Years teremos ocasião de ver não só as quatro longas metragens: são elas «Afterschool», de Antonio Campos, «Two Gates of Sleep», de Allistar Banks Griffin, «Martha Marcy May Marlene», de Sean Durkin, bem como «Simon Killer», o mais recente filme de Campos, em que seguimos os vícios e tentações do anti-herói de «Afterschool», em ambiente de uma Paris muito ‘noir’, com o excelente Brady Corbert, o jovem que juntamente com Michael Pitt inferniza a Naomi Watts e Tim Roth no remake americano que Michael Haneke fez do seu próprio filme (Brincadeiras Perigosas).
No entanto, as curtas metragens serão até mais apetecíveis, pois menos expostas aos circuitos festivaleiros. Desde logo, a estreia de Campos, com o premiado em Cannes «Buy it Bow», a curta de 2005 a propósito do material vídeo da badalada americana que decidiu vender a virgindade no eBay. Durkin mostra também em «Mary Last Seen», de 2010, como o seu trajeto parece pertencer a um corpo físico, onde as histórias se interligam e prolongam. Aqui, pelo menos, percebemos um embrião de Marcy, entre outros filmes de curto formato.
De referir, que a retrospetiva inclui ainda uma espécie de projeção “carta branca” onde Campos, Durkin e Mons selecionarão os seus filmes favoritos off-Borderline, para além de prepararem uma “master class” com atores e membros da equipa.

