Médio Oriente e Europa em força nos projetos escolhidos para o Atelier Cinéfondation

(Fotos: Divulgação)
Foram divulgados os 15 projetos escolhidos para o Atelier Cinéfondation, um dos grandes trunfos que o Festival de Cannes fornece a realizadores à procura de financiamento, promovendo encontros com eventuais co-produtores, distribuidores, vendedores estrangeiros e fundos de auxílio.
 
E apesar de existirem filmes de diversas regiões mundiais, há que dar particular destaque à vasta seleção de títulos provenientes do Médio Oriente. Logo um dos destaques é “Me, Myself and Murdoch”, um filme do jordano-palestino Yahya Alabdallah, que depois de contar a história de um taxista divorciado que tem de juntar dinheiro e voltar a falar com a família para realizar uma cirurgia essencial em «Last Friday», vai agora seguir um palestino que quando acorda, após um longo período em estado de coma, apenas fala hebraico.
 
Já o germano-egípcio Philip Rizk e a polaca-egípcio Jasmina Metwaly – que fazem parte do coletivo media Mosireen – vão apresentar a sua longa metragem documental «Out/In the Street», um trabalho que se foca na vida dos operários na revolução egípcia.
 
Já de Israel temos dois projetos «Holy Air», de Shadi Srour, e «The House on Fin Street», o novo filme de Amir Manor, o responsável pelo brilhante «Epilogue»[Ler Crítica]. Da Europa chega o drama grego em tons de absurdo e totalmente passado num teatro «Stage Fright», «Sworn Virgin», um filme de Laura Bispuri baseado na obra homónima de Elvira Dones sobre uma mulher que se quer tornar um homem, e «Je ne suis pas un salaud», de Emmanuel Finkiel. «Memories of the Wind», do turco Özcan Alper, é outra das obras selecionadas.
 
No que diz respeito a outras regiões, a América do Sul contribui com «Rey», um relato íntimo e dramático sobre o advogado e aventureiro francês, Orelie-Antoine de Tounens, um homem que por volta de 1860 passou a fronteira entre o Chile e a Aracania para propor aos indígenas locais (os Mapuches) a transformação do local no Reino da Araucania e Patagónia (também chamado Nova França) – de forma a defenderem-se de uma invasão chilena. Segundo Niles Attalah, o realizador, o grande objectiva é tentar descodificar Orelie-Antoine de Tounens, uma personagem histórica muito pouco conhecida, para lá do mito em seu torno. Mais a norte, e do México, chega ao atelier «Los Herederos», de Jorge Hernández Aldana. Descrito como uma coming-of-age story, no filme estamos em Monterrey e seguimos a história de um grupo de adolescentes e das suas famílias na primeira metade da década de 90, e na sua busca do sonho americano em solo mexicano.
 
Dos EUA chega «Road Kill». Esta obra de Yuichi Hibi segue em particular as vidas alienadas de membros de gangues vietnamitas-americanos que todos os anos partem em busca da autodescoberta.
 
Mudando para África, há dois projetos em foco. De um lado temos «Lamb», de Yared Zeleke (Etiópia), mais uma coming-of-age story sobre um rapaz etíope, Ephraim, que após perder a mãe para a fome, vê o pai enviá-lo juntamente com as suas ovelhas para junto de parentes distantes num país mais fértil. Nostálgico, o jovem recusa os conselhos do tio para matar as ovelhas e tudo fará para salvar o seu único amigo e voltar para casa. Da África do Sul vem ainda «Days of Canibalism», o novo filme de Teboho Joscha Edkins, o responsável pelo documentário «Gangster Project» – onde este visitava a cultura gangster local.
 
Finalmente, da China temos «Ciao Ciao», um filme de Song Chuan, sobre uma mulher que é forçada a colocar os sonhos de lado quando é obrigada a regressar à zona rural onde nasceu, enquanto da India vem «Chenu», uma fita de Manjeet Singh que acompanha um rapaz que é atraído até uma guerra entre as forças de extrema-esquerda (Naxals) e as forças militares fascistas dos grandes proprietários de uma zona próxima o Ganges.
 
O Atelier Cinéfondation decorre de 17 a 23 e maio.
 

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