“Ich sollte hier sein” (eu deveria estar aqui). Estas eram as palavras que acompanhavam um cartaz com a figura de Jafar Panahi exposto no Festival de Berlim. A ocasião era a apresentação do seu novo filme, «Pardé» (Cortina Fechada), executado com o apoio do iraniano Kamboziya Partovi, o que representa a segunda vez que o realizador de obras como «O Círculo», «Offside» e «Sangue e Ouro» fura o castigo imposto pelos tribunais iranianos – que o condenaram à interdição de filmar qualquer obra ou dar uma entrevista durante 20 anos. Essa proibição levou, segundo as notas de produção da obra, Panahi a sofrer de uma profunda depressão.
«Eu acho que o filme mostra essa frustração», afirmou Partovi durante a apresentação da modesta produção filmada numa casa à beira-mar e com o mínimo de equipamento. É aí que vive um escritor e um cão (um animal impuro), escondidos do mundo atrás das cortinas fechadas da sua casa. A sua privacidade é alterada por um par de fugitivos que aparece de repente, não se sabe bem como. A partir daí, a realidade e a ficção se misturam quebrando todos os tipos de convenções, num filme que claramente fala de liberdade e arte.
Quanto ao futuro da obra e às consequências da sua apresentação no certame, é uma incógnita. «Não sabemos onde nos vai levar este projeto, mas estamos muito felizes por ter sido capazes de o completar”, concluiu Partovi, que já tinha colaborado com o cineasta no guião de “O Círculo”.

