Começa hoje, e prolonga-se até ao próximo dia 4 de fevereiro, a 36ª edição do Festival Internacional de Cinema de Gotemburgo, na Suécia, um certame que para além de se focar particularmente no cinema nórdico, apresenta ainda muitas das obras que têm feito furor nos festivais de cinema.
O principal prémio a concurso é o Prémio Dragão, entregue quer na categoria de documentário, quer na ficção (longas e curtas metragens).
Nos documentários realce para a presença de «No Burqas Behind Bars», um trabalho do sueco de origem iraniana Nima Sarvestani que viaja por uma prisão afegã onde estão detidas várias mulheres que lutaram pelos seus direitos. De notar que este cineasta já venceu o principal prémio no certame, em 2011, com «I was worth 50 sheep».
Curiosamente, o Afeganistão é também o centro das atenções de outro documentário a concurso. «My Afghanistan – Life in the forbidden zone», do jornalista dinamarquês de ascendência afegã Nagieb Khaja. O documentarista forneceu câmaras a uma série de famílias na província de Helmand e este documentário é um retrato da sociedade afegã atual, especialmente as histórias que nunca fazem parte dos telejornais.
«My Afghanistan – Life in the forbidden zone»
«Finnish Blood», «Forest of the Dancing Spirits», «The Goodness», «Belleville Baby», «Nowhere Home» e «Black White Boy» completam a lista dos candidatos.
Já na categoria de ficção, o grande favoritismo vai para «A Hijacking», um drama psicológico a bordo de um navio de carga capturado por piratas no Oceano Índico que tem a assinatura de Tobias Lindholm. A fita, que já conquistou festivais como em Salónica, na Grécia, ou Les Arcs, em França, vai concorrer com outros nomes fortes como «The Deep», do islandês Baltasar Kormákur (Contrabando), «Faro», o novo projeto do sueco Fredrik Edfeldt (realizador de «Flickan» em 2009), e «8-ball», do finlandês Aku Louhimies (Frozen Cities).
«All that matters is past», de Sara Johnsen, « I Belong», de Dag Johan Haugerud, «Before Snowfall», de Hisham Zaman, e «Nordvest», de Michael Noer, são outros filmes a concurso.
Kon-Tiki volta a navegar
O filme «Kon-Tiki», nomeado ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, é a obra que marca a abertura do certame, numa cerimónia que vai decorrer hoje a partir das 17h00 locais. Na obra acompanhamos o feito de Thor Heyerdahl, um homem que seguiu, conjuntamente com uma pequena tripulação, da América do Sul até à Polinésia numa viagem que todos consideravam impossível. No certame também será apresentado o documentário sobre o assunto que em 1950 ganhou o único Óscar até hoje conquistado pela Noruega.

