Começa hoje o Festival Internacional de Cinema de Roma

(Fotos: Divulgação)

Arranca hoje a 7ª edição do Festival de Cinema de Roma, certame agora sob o comando de Marco Müller, antigo responsável artístico do Festival de Cinema de Veneza, e que procura agora na capital italiana trazer o certame para a primeira linha dos eventos europeus.
 
Com nomes como James Franco, Sylvester Stallone, Bill Murray, Jude Law e Adrien Brody confirmados como convidados, Roma torna-se o centro da atividade cinematográfica mundial, especialmente para a imprensa internacional – que manifestamente mostra-se mais entusiasmada no trabalho do novo diretor do que a imprensa local – bastante agressiva, descrente e que já avança com estimativas de um menor numero de espectadores para esta edição.
 

O filme de abertura 

 

A abrir esta 7ª edição está «Waiting for the Sea», um épico existencial assinado por Bakhtiar Khudojnazarov – realizador de filmes como «Luna Papa».
 
Na obra, profundamente inspirada no recuo do Mar Aral, seguimos Marat, um homem que regressa a casa com um peso enorme na consciência. Na verdade, toda a aldeia condena-o pois ele foi o único sobrevivente de uma tempestade que afundou o seu navio e tirou a vida a todos os outros passageiros, incluindo a sua esposa. Apesar do mar ter secado misteriosamente, a tristeza e a amargura do navio do Capitão Marat permanecem. Marat é obcecado com a ideia de fazer com que o mar regresse – e com ele todos os homens que se perderam. Quase toda a gente acredita que Marat é louco, com exceção do seu amigo Balthazar e de Tamara, a irmã mais nova da esposa. Tamara é profundamente apaixonada por Marat, mas ele rejeita-a porque a sua missão é solitária. 
 

A competição internacional  

Para além da presença de dois filmes surpresa (um que já se sabe que é «Back to 1942», de Feng Xiaogang), os grandes destaques da competição vão para os novos filmes de Roman Coppola (A Glimpse Inside The Mind of Charles Swan III) e Larry Clark (Marfa Girl). Mas seria injusto não referir as novas obras de Jacques Doillon (Un Enfant de Toi), Valérie Donzelli (Main dans la Main), Takashi Miike (Lesson of The Devil) e Alexey Fedorchenko (Celestial Brides of the Plane Seas).

«Cine XXI»

«Centro Histórico» abre a secção «Cine XXI»
 
 

O filme «Centro Histórico», constituído por quatro segmentos/curtas de Víctor Erice, Pedro Costa, Manoel de Oliveira e Aki Kaurismäki, é a obra escolhida para abrir a novíssima secção Cine XXI, dedicada às “novas correntes do cinema mundial” e a debruçar-se sobre “trabalhos que refletem a contínua reinvenção do cinema no panorama audiovisual contemporâneo”.

«Centro Histórico» é uma colaboração de quatro cineastas realizada no âmbito de Guimarães, Capital Europeia da Cultura e começa com o segmento «O Tasqueiro», assinado pelo finlandês Aki Kaurismäki. Nela seguimos de perto o solitário dono de uma tasca/bar no centro histórico de Guimarães. A segunda curta tem a assinatura de Pedro Costa e intitula-se «Lamento da Vida Jovem». Nela Pedro Costa volta a pegar em Ventura, imigrante cabo-verdiano, o protagonista de «Juventude em Marcha», que aqui encontra num elevador um local para lidar com as memórias. O terceiro segmento é assinado por Victor Erice e denomina-se «Vidros Partidos». Nesta obra viramo-nos para a indústria têxtil na zona do rio Vizela. Esta é uma visita ao passado e recolhem-se testemunhos de antigos empregados que trabalharam na zona industrial encerrada em 2002. Finalmente, e na quarta curta, assinada por Manoel de Oliveira, e denominada «O Conquistador, Conquistado», seguimos a história irónica de um grupo de turistas que «conquista» o centro histórico de Guimarães. 
 
De notar que esta não é a única participação de Manoel de Oliveira em Roma. A coletânea de curtas-metragens «Mundo Invisivel», e que também conta com um segmento assinado por Maria de Medeiros, também estará em exposição no certame. 
 

A «Photo» de Carlos Saboga
 
 
 
O filme «Photo», que marca a estreia na realização do argumentista Carlos Saboga («O Lugar do Morto», «Mistérios de Lisboa», «As Linhas de Wellington») está na competição oficial da secção Cine XXI.  Na obra, protagonizada por Anna Mouglalis (Coco Chanel & Igor Stravinsky), Johan Leysen (A Rainha Margot), Didier Sandre (Conto de Outono), Simão Cayatte (A Viagem), Marisa Paredes (Fala com Ela), Rui Morisson e Ana Padrão (Os Sorrisos do Destino), acompanhamos a Elisa, cuja mãe acaba de morrer e que descobre que o seu pai não é aquele que julgava. A sua busca de um pai improvável, que é também uma fuga ao presente, leva-a de Paris a Lisboa, do fantasma dos anos 70 do século passado aos primeiros anos de um novo século fantasmático. Este itinerário leva-a a cruzar mortos que falam, memórias que vacilam, torcionários reformados e revolucionários arrependidos. 
 

Margarida Gil leva o seu “O Fantasma do Novais” a Roma

«O Fantasma do Novais» é (também) uma encomenda da Capital Europeia da Cultura – Guimarães 2012, e busca – num constante cruzamento entre o passado e o presente, entre a ficção e o documentário – dar a conhecer Joaquim Novais Teixeira, jornalista e crítico de cinema, desaparecido em Paris em 1972.

Para isso, Gil (re)cria Ana (Cleia Almeida), uma mulher que tenta desesperadamente acabar um trabalho de pesquisa sobre Novais Teixeira. Faltam-lhe o tempo e as forças para editar as horas de entrevistas que recolheu sobre ele, e pede ajuda a Sofia (Maria Raquel Correia) e a Jacinto (Miguel Nunes), cujo maior empenho é dormir. Todos se acabam por emaranhar no véu do fantasma do Novais e de se deixar seduzir por esta figura incontornável. 

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