Arranca hoje o Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela

(Fotos: Divulgação)
Inicia-se hoje, em Seia, a 18ª edição do Cine-Eco, festival com preocupações ambientais que levará à Serra da Estrela diversos documentários junto a lançamentos do cinema comercial. O filme de abertura, que inaugurará o equipamento digital do cinema da cidade, é o musical “Step Up”, de Scott Cooper. O festival de decorre entre 6 e 13 de outubro na Casa de Cultura Municipal de Seia.

No todo, serão exibidos 80 filmes, onde predomina a temática ecológica e que traz diversos trabalhos inéditos em Portugal. O Cine-Eco também será uma oportunidade para os espectadores da região apreciarem no grande ecrã obras já lançadas no circuito comercial português. Entre estes, o recém-estreado “As Linhas de Wellington” e filmes como o “O Cavaleiro das Trevas”, “Prometheus”, “Madagascar 3”, “Idade do Gelo 4”, “Selvagens” e “7 Dias em Havana”. Destaque ainda para o português a “Estrada de Palha” e o brasileiro “Trampolim do Forte”, menção honrosa no último FESTin. Por esse festival também passou outro filme aqui incluído, interessante especialmente para os mais jovens: “Uma Professora Muito Maluquinha”.

O festival tem caráter competitivo e desenvolve-se em várias sessões: competição nacional (Lusófona) e Internacional (curtas e longas), panorama regional (com filmes de realizadores da Serra da Estrela) e mais algumas sessões paralelas – os panoramas Ano do Brasil, Nacional, Internacional, Infantil e Sénior. O realizador António Escudeiro será homenageado pela sua contribuição ao cinema ecológico. A Mostra Inclusão Social pelo Cinema, através de uma parceria com o FESTin, completa a programação. Entre as atividades paralelas, a 12ª Glocal – Conferência Internacional da Agenda 21 Sustentabilidade Local, uma mostra de obras do pintor Sérgio Reis e uma apresentação da orquestra da Epse. 

A DESTRUIÇÃO DO PLANETA EM 13 FILMES

Vida Engarrafada
 
A dramática devastação que vai lentamente consumindo o planeta é o tema da mostra principal, que reúne 13 diferentes abordagens sobre a questão ambiental. A Amazónia e o Ártico são duas das regiões mais emblemáticas e aparecem em mais de um filme.

“Alma”: a destruição da Amazónia pelas indústrias;
“Far-West Amazónia”: igualmente sobre a selva sul-americana e seu desmatamento;
“Paralelo 10”: a destruição dos indígenas nas fronteiras entre Brasil e Perú, na Amazónia;
“Neve em Silêncio – a Intoxicação Invisível do Ártico”: além da corrosão ambiental, o envenenamento das comunidades de esquimós pelo acumular de resíduos tóxicos;
“Vida Engarrafada”: pesquisa sobre como a Nestlé criou o negócio bilionário da água engarrafada. A empresa recusou-se a colaborar com o projeto;
“Aquecimento Global”: aborda os seus efeitos nas mais diversas partes do globo;
“Coração da Terra, Coração do Céu”: outro sobre os efeitos no planeta da globalização desenfreada;
“O Despertar do Tigre Verde”: a destruição ecológica na China a partir de Mao Tsé-Tung;
“Espui”: o caos trazido pela especulação imobiliária a uma pequena localidade dos Pirinéus, em Espanha;
“Maré Negra – Vozes do Golfo”: sobre o terrível acidente num poço de petróleo do Golfo do México, em 2010, e as suas consequências para a região;
“Um Peixe de um Milhão de Dólares”: sobre a preservação das belugas no Danúbio;
“Ecotopia”: fábula ecológica exibida recentemente no Festival de Cinema Turco, em Lisboa;
“Resistência”: de caráter mais social, sobre o bairro Scampia, norte de Nápoles, considerado a maior zona de tráfico de drogas da Europa – e tema do livro de Roberto Saviano, “Gomorra”.

ANO DO BRASIL EM PORTUGAL

 
“O Guri”
 
A mostra de filmes brasileiros inclui dois de ficção, o já citado “Trampolim do Forte”, que aborda de forma leve a vida dos meninos de rua de Salvador, e “O Guri” (que também passou pelo FESTin), enquadramento igualmente poético das lendas dos pampas gaúchos na fronteira Brasil-Argentina.

Completam o panorama mais cinco documentários: 

“Hollywood no Cerrado”, que narra a ocupação da vasta região do Centro-Oeste brasileiro, muito posterior a do restante do país;
“O Abrigo”, sobre a maior catástrofe natural da história do Rio de Janeiro, as cheias do ano passado;
“Céu sem Eternidade”, sobre o conflito entre uma comunidade ancestral do interior do Maranhão e o Estado brasileiro, que construiu na região um laboratório de lançamento de foguetes; 
“A Bicicleta e o Caranguejo – Uma Cidade Chamada Alexandra“, sobre uma cidade do interior do Paraná que conserva um estilo de vida tradicional;
“Nem Tudo é Memória”, sobre a cidade de Ponte Nova, que desapareceu com a construção de uma barragem. 
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